Curitiba (PR) – Salários, carreira e valorização profissional continuam entre os principais desafios enfrentados pelos trabalhadores da educação pública no Paraná. Embora o Estado apresente uma das situações fiscais mais sólidas do país, professores e servidores da rede estadual afirmam que reivindicações históricas seguem sem resposta. Agora, parte dessas demandas deve chegar oficialmente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
O deputado estadual Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição na Casa, anunciou nesta segunda-feira (15) a apresentação de três projetos de lei elaborados a partir de reivindicações defendidas pela APP-Sindicato. As propostas tratam da reestruturação da carreira do magistério, da equiparação salarial de agentes educacionais e do reenquadramento funcional de servidores da educação.
Segundo a entidade sindical, os temas foram discutidos durante negociações com o governo estadual, mas ficaram fora das medidas encaminhadas pelo Poder Executivo.
Mais do que uma disputa administrativa, o debate envolve o futuro da carreira de milhares de profissionais que atuam diariamente nas escolas públicas paranaenses. Em um cenário marcado por transformações na educação, ampliação das demandas escolares e dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores da rede, a valorização profissional permanece como uma das principais bandeiras da categoria.
“A valorização da educação precisa continuar na pauta do Paraná”, afirmou Arilson ao anunciar a apresentação das propostas.
Entre os projetos está a reestruturação da carreira do Quadro Próprio do Magistério (QPM), que reúne professores da rede estadual. A proposta pretende ampliar possibilidades de progressão profissional e atualizar mecanismos de desenvolvimento na carreira.
Outra medida busca equiparar os salários dos agentes educacionais II do Quadro dos Funcionários da Educação Básica (QFEB) aos vencimentos pagos a cargos equivalentes do serviço público estadual. A terceira proposta trata do reenquadramento funcional de servidores, adequando trabalhadores a classes compatíveis com sua trajetória profissional e tempo de serviço.
Para a APP-Sindicato, as medidas representam uma tentativa de corrigir distorções acumuladas ao longo dos anos e fortalecer o reconhecimento dos profissionais que atuam nas escolas públicas.
Debate envolve carreira, remuneração e qualidade da educação
A discussão vai além das tabelas salariais. Especialistas em educação costumam apontar que a valorização dos profissionais está diretamente relacionada à capacidade de atrair e manter trabalhadores qualificados na rede pública de ensino.
Nesse contexto, sindicatos e representantes da categoria defendem que a melhoria das condições de carreira influencia não apenas os servidores, mas também a qualidade do sistema educacional.
Segundo levantamento apresentado pela APP-Sindicato, as três medidas teriam impacto acumulado equivalente a 0,88% da Receita Corrente Líquida (RCL) do Estado entre 2026 e 2027.
De acordo com os cálculos divulgados pela entidade, a reestruturação da carreira do magistério representaria 0,74% da RCL no período. A equiparação salarial dos agentes educacionais II corresponderia a 0,04%, enquanto o reenquadramento funcional alcançaria 0,10%.
Para os defensores das propostas, os números indicam que as medidas são financeiramente viáveis. Já eventuais análises sobre impacto orçamentário deverão fazer parte do debate legislativo caso os projetos avancem na Assembleia.
“O próprio estudo da categoria mostra que o impacto dessas medidas é inferior a 1% da Receita Corrente Líquida do Estado”, argumentou Arilson.
Educação permanece no centro das disputas políticas
A apresentação dos projetos ocorre em um momento em que diferentes setores da educação pública cobram avanços em temas relacionados à carreira, remuneração e condições de trabalho.
Nos últimos anos, sindicatos, profissionais da educação e especialistas têm defendido que o fortalecimento da escola pública passa necessariamente pela valorização daqueles que atuam dentro das salas de aula e nos serviços que garantem o funcionamento das unidades escolares.
A expectativa da APP-Sindicato é que as propostas recebam apoio de parlamentares de diferentes bancadas e ampliem o debate sobre políticas permanentes de valorização dos trabalhadores da educação.
Mais do que uma discussão corporativa, a entidade sustenta que o tema está diretamente ligado à qualidade do ensino oferecido aos estudantes paranaenses e ao futuro da educação pública no Estado.


















