Foz do Iguaçu (PR) — Em uma cidade marcada por migrações, grandes obras, transformações urbanas e pela convivência entre diferentes povos e culturas, preservar a memória é também preservar a identidade coletiva. Foi com essa proposta que o Museu da Imprensa levou à Praça da Paz, durante a Feirinha da JK, uma exposição itinerante com capas históricas de jornais que retratam diferentes momentos da trajetória de Foz do Iguaçu.
A atividade integrou as comemorações dos 112 anos do município e reuniu exemplares publicados desde a década de 1950, permitindo que moradores, visitantes e novas gerações revisitassem fatos que ajudaram a moldar a cidade.
Mais do que uma exposição de jornais antigos, a iniciativa propôs um encontro entre passado e presente. Em cada capa, estavam registradas disputas políticas, transformações econômicas, desafios sociais, avanços urbanos e histórias de pessoas que construíram Foz do Iguaçu ao longo das décadas.
A mostra já passou pelo Mercado Público Barrageiro e pela Unioeste/Foz e tem como objetivo ampliar o acesso ao acervo, levando a história da cidade para espaços públicos e aproximando a população de um patrimônio documental que muitas vezes permanece restrito a arquivos e bibliotecas.
Entender a cidade para compreender o presente
Morador de Foz do Iguaçu há apenas três meses, o garçom Theo Fernando encontrou na exposição uma forma de conhecer melhor a cidade onde pretende construir sua trajetória acadêmica e profissional.
Ao observar as capas dos jornais, ele percebeu que compreender o passado ajuda a interpretar a realidade atual.
“Dá para entender certos porquês de a cidade ser assim e não de outra forma”, observou. “É importante conhecer como Foz do Iguaçu foi formada, a evolução do seu comércio, o turismo e os trabalhadores que aqui chegaram. Há muita mudança, porém algumas questões permanecem iguais a como eram anos atrás”, refletiu.
A percepção dialoga com um dos principais objetivos do projeto: mostrar que a história não é apenas uma sucessão de datas e acontecimentos, mas um instrumento para compreender as escolhas, conflitos e transformações que continuam influenciando a vida da cidade.
Memórias que atravessam fronteiras
Para a pianista e professora de música Roseli Motta, que vive atualmente na região de Paris, na França, mas mantém vínculos familiares com Foz do Iguaçu, a exposição proporcionou uma reconexão com lembranças pessoais e coletivas.
Roseli acompanhou de perto importantes transformações da cidade entre o final da década de 1970 e o início dos anos 1980, período marcado por profundas mudanças sociais e urbanas.
“O exercício de memória e conhecimento que esse projeto propõe é excelente. Permite à população saber mais sobre os fatos que se passaram para a cidade chegar até aqui”, afirmou. “As pessoas que veem a exposição certamente vão querer se aprofundar, indo mais longe, para entender a continuação da história retratada nas capas de jornais.”
História, comunicação e consciência social
A estudante de Jornalismo Sophia Rockenbach visitou a mostra acompanhada de colegas de curso. Para ela, o contato com as páginas históricas da imprensa local ajuda a ampliar o repertório e compreender questões que ainda fazem parte da realidade da fronteira.
Uma das capas que mais chamou sua atenção abordava a situação das mulheres paraguaias que atuam no comércio fronteiriço.
“Vou refletir mais a fundo quando presenciar as mulheres do Paraguai vendendo seus produtos, sobre as suas condições de trabalho e de vida”, relatou.
A observação revela como a memória preservada nos jornais ultrapassa o registro dos acontecimentos e contribui para a reflexão sobre temas que permanecem presentes na vida cotidiana da região, como trabalho, migração, desigualdade e relações de fronteira.
Um acervo para preservar a memória coletiva
Realizado pela Associação Guatá com apoio da Itaipu Binacional, o Museu da Imprensa reúne quase 20 mil páginas de jornais e revistas digitalizadas.
A primeira coleção disponibilizada ao público contempla 21 títulos publicados entre 1953 — período que marca os primeiros registros do jornalismo impresso em Foz do Iguaçu — e 2019.
O projeto tem como objetivo preservar, organizar e democratizar o acesso a fontes históricas que ajudam a contar a trajetória do município por meio da imprensa local.
Além de integrar o catálogo nacional do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o acervo está disponível gratuitamente para consulta pública pela internet.
Serviço
Museu da Imprensa de Foz do Iguaçu
Acesse: www.museudaimprensafoz.com.br
Instagram: @museudaimprensafoz
Grupo de WhatsApp:
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