Foz do Iguaçu (PR) – Dos céus da Ucrânia ao Oriente Médio, os drones transformaram a forma de fazer guerra. Equipamentos relativamente baratos passaram a ameaçar tanques, bases militares e sistemas de defesa avaliados em milhões de dólares. É nesse cenário que a China apresentou uma nova arma portátil a laser capaz de neutralizar drones em poucos segundos.
A tecnologia foi exibida durante a Defense Information Equipment & Technology Exhibition 2026 e integra a série Lijian, expressão que pode ser traduzida como “espada afiada”. Desenvolvido pela empresa Harbin Xinguang Optic-Electronics Technology, o sistema faz parte dos investimentos chineses voltados à crescente disputa por tecnologias de defesa contra veículos aéreos não tripulados.
O que chamou atenção foi o tamanho do equipamento. Diferentemente de sistemas antidrone instalados em veículos blindados ou plataformas fixas, os novos modelos foram projetados para serem transportados por um ou dois soldados em campo.
As versões Lijian II e Lijian III pesam aproximadamente 25 kg e 30 kg, distribuídos entre o emissor de laser, o sistema de resfriamento e a unidade de controle.
A nova corrida tecnológica dos campos de batalha
O crescimento dos sistemas antidrone acompanha uma mudança acelerada nos conflitos contemporâneos.
Nos últimos anos, drones passaram a desempenhar funções de reconhecimento, vigilância, ataque e monitoramento em diferentes cenários de guerra. Em muitos casos, equipamentos de baixo custo conseguem provocar danos significativos a estruturas militares muito mais caras.
A resposta das grandes potências tem sido o desenvolvimento de armas de energia dirigida, especialmente lasers capazes de atingir alvos sem a necessidade de munições convencionais.
Segundo as informações divulgadas durante a feira militar, os modelos da série Lijian operam com potência próxima de 2 quilowatts e possuem alcance de até 500 metros. Já a versão fixa, identificada como Lijian 10G, amplia a distância operacional para cerca de 1.200 metros.
O sistema atua concentrando energia sobre o alvo. O feixe pode danificar sensores, câmeras, sistemas eletrônicos e baterias, até comprometer completamente a capacidade de voo do drone.
Embora o disparo seja realizado por operadores humanos, a identificação dos alvos utiliza recursos de inteligência artificial. Os equipamentos também podem ser integrados a radares compactos para ampliar a capacidade de detecção e rastreamento.
A disputa por sistemas antidrone tornou-se uma das áreas mais estratégicas da indústria militar global. China, Estados Unidos, Israel, Reino Unido e Rússia ampliaram investimentos no setor após observar o impacto dos drones em conflitos recentes.

Potencial e limitações
Apesar do avanço tecnológico, especialistas apontam que as armas a laser ainda enfrentam limitações importantes.
Diferentemente de projéteis convencionais, o feixe precisa permanecer concentrado sobre o alvo durante alguns segundos para produzir danos efetivos. Além disso, fatores climáticos como chuva, neblina, fumaça ou poeira podem reduzir significativamente a eficiência do sistema.
Outro desafio é a necessidade de linha de visão direta. Árvores, edificações, relevo irregular ou obstáculos urbanos podem limitar a capacidade operacional do equipamento.
Mesmo assim, o interesse por esse tipo de tecnologia continua crescendo.
O custo estimado de cada unidade gira em torno de 2 milhões de yuans, valor equivalente a aproximadamente R$ 1,5 milhão. Embora elevado, o investimento pode ser economicamente vantajoso diante da necessidade de enfrentar enxames de drones baratos utilizando sistemas de defesa mais eficientes e sustentáveis.
Se no século XX os céus foram dominados por aviões de combate e mísseis, o século XXI parece caminhar para uma disputa entre drones cada vez mais acessíveis e tecnologias capazes de neutralizá-los. O laser portátil apresentado pela China é mais um capítulo dessa transformação que já redefine a guerra moderna.



















