Entre as redes e as ruas: o papel dos jovens na transformação do Brasil

Entre as redes e as ruas: o papel dos jovens na transformação do Brasil

Novas gerações enfrentam desafios históricos, mas também possuem ferramentas inéditas de mobilização e transformação.

O combate às desigualdades depende do protagonismo das juventudes brasileiras. Crédito: Letycia Bond/Agência Brasil
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*Por Amilton Farias

Durante muito tempo, repetiu-se a ideia de que os jovens representam o futuro. A frase parece bonita, mas esconde um erro fundamental. O jovem não é o futuro. O jovem é o presente. O futuro será construído pelos filhos e filhas das decisões que a juventude toma hoje.

Em um país marcado por desigualdades históricas, violência, racismo, concentração de renda e sucessivas crises políticas, a participação da juventude tornou-se uma necessidade democrática. Não se trata apenas de ocupar espaços institucionais, mas de compreender que toda transformação social nasce da capacidade das pessoas comuns de se organizarem e agirem coletivamente.

As últimas décadas mostraram que a disputa pelo futuro do Brasil também é uma disputa pela consciência das novas gerações. Igrejas, escolas, universidades, meios de comunicação e plataformas digitais tornaram-se territórios onde diferentes projetos de sociedade buscam conquistar corações e mentes.

Nesse cenário, a fé continua desempenhando um papel importante na vida de milhões de brasileiros. O problema nunca foi a fé. O problema sempre esteve na sua instrumentalização para produzir submissão, medo ou conformismo.

A história demonstra que os grandes avanços sociais ocorreram quando homens e mulheres transformaram suas convicções em ação concreta. Foi assim nas lutas contra a escravidão, na conquista de direitos trabalhistas, na resistência às ditaduras e nas mobilizações populares que ampliaram direitos sociais ao longo do século XX e do início do século XXI.

A juventude brasileira enfrenta desafios que outras gerações não conheceram na mesma intensidade. A precarização do trabalho, a violência urbana, a disseminação do discurso de ódio, a crise climática e a manipulação algorítmica criaram obstáculos inéditos para quem busca construir um projeto de vida digno.

Ao mesmo tempo, nunca existiram tantas ferramentas de comunicação e organização coletiva. A internet tornou-se um espaço de disputa política, cultural e social. Redes sociais, coletivos digitais, veículos independentes e iniciativas comunitárias demonstram diariamente que é possível transformar informação em mobilização e mobilização em mudança concreta.

Mas nenhuma tecnologia substitui a consciência.

A transformação continua começando quando um jovem decide não aceitar como natural a violência contra mulheres, o racismo, a homofobia, a fome, a destruição ambiental ou a exclusão social. Toda mudança nasce do momento em que alguém se recusa a tratar a injustiça como algo inevitável.

Nesse sentido, a figura histórica de Jesus continua provocando reflexões profundas. Não o Jesus utilizado para justificar privilégios ou defender o autoritarismo. Mas o homem que caminhava ao lado dos pobres, acolhia os marginalizados, enfrentava os poderosos de sua época e denunciava estruturas que transformavam a fé em instrumento de dominação.

A mensagem central permanece atual: a dignidade humana deve estar acima do lucro, da intolerância e da exploração.

Por isso, a esperança não pode ser confundida com passividade. Esperança é organização. Esperança é solidariedade. Esperança é participação. Esperança é a decisão coletiva de construir uma sociedade mais justa mesmo quando os obstáculos parecem maiores que as possibilidades.

A juventude não foi chamada para esperar o futuro chegar.

Foi chamada para construí-lo.

E a história demonstra que toda vez que os jovens compreenderam sua força coletiva, o mundo mudou.

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*Amilton Farias é jornalista e editor-chefe do Portal Fronteira Livre

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Este texto reflete a opinião institucional do portal Fronteira Livre sobre o tema abordado.


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