Itaipu amplia investimentos no combate ao crime organizado

Itaipu amplia investimentos no combate ao crime organizado

A cidade sediou encontro nacional que reuniu cerca de 300 representantes das forças de segurança; Itaipu apresentou investimentos em tecnologia, inteligência e integração para fortalecer o enfrentamento ao crime organizado

Luiz Fernando Delazari, diretor jurídico da Itaipu. Foto: Rubens Fraulini/Itaipu Binacional.
WhatsApp
Telegram
Facebook
Email
LinkedIn

Foz do Iguaçu, PR – A Itaipu Binacional participou, na última terça-feira (23), do IV Encontro Nacional das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficcos) e do Encontro das Delegacias de Combate aos Crimes contra o Patrimônio e Tráfico de Armas (Delepats), realizado em Foz do Iguaçu (PR). O evento reuniu aproximadamente 300 representantes das forças de segurança pública de todas as regiões do Brasil para debater estratégias de integração, inteligência e enfrentamento ao crime organizado.

Representando a Itaipu, o diretor jurídico, Luiz Fernando Delazari, destacou os investimentos da binacional em segurança pública e as ações de cooperação desenvolvidas em parceria com instituições responsáveis pelo combate ao crime organizado. O diretor também ressaltou a importância de iniciativas voltadas à qualificação permanente dos profissionais da área.

“Nenhuma instituição pode se dar ao luxo de parar de estudar, de se aprofundar, de produzir, de inovar, de criar ciência e tecnologia. A Itaipu sempre foi pioneira nesse estímulo para que as instituições continuem crescendo e melhorando. É o que estamos vendo aqui hoje: uma integração absoluta entre as polícias estaduais e federais para melhorar o sistema de combate ao crime organizado.”

Delazari relembrou sua trajetória na segurança pública, como promotor de Justiça, precursor dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaecos), secretário de Estado da Segurança Pública do Paraná e presidente do Conselho Nacional dos Secretários de Segurança Pública.

“Nesse período, sempre buscamos consolidar políticas de segurança pública no combate ao crime organizado e na defesa do patrimônio público. Foi com esse sentimento de serviço ao Brasil que me reúno com vocês hoje.”

Segundo o diretor, o avanço tecnológico das organizações criminosas exige investimentos contínuos por parte do Estado.

“As polícias têm que se organizar para não os deixar escaparem. A Itaipu tem investido financeiramente e colaborado com esses eventos porque entende que faz parte de sua responsabilidade proporcionar condições para que os profissionais estudem, atuem de forma integrada e contribuam para melhorar a qualidade de vida da população.”

Itaipu amplia investimentos em segurança pública

Desde 2023, a Itaipu Binacional investiu aproximadamente R$ 203 milhões em ações voltadas à segurança pública, por meio de convênios, parcerias institucionais e aquisição de equipamentos.

Entre os principais projetos está o sistema de monitoramento do Lago de Itaipu, equipado com câmeras de longo alcance, radares de superfície e sistemas automatizados de alerta.

A licitação para ampliação do sistema já está em andamento e prevê o monitoramento integral do reservatório, entre Foz do Iguaçu e Guaíra, utilizando 12 câmeras de alta performance. As imagens são compartilhadas com a Polícia Federal, Receita Federal e demais órgãos responsáveis pela fiscalização. O investimento estimado é de aproximadamente R$ 65 milhões.

Outro destaque é o projeto Mural Inteligente, desenvolvido em parceria com a Receita Federal, que utiliza drones, inteligência artificial e sistemas avançados de monitoramento para reforçar a fiscalização na faixa de fronteira. Apenas no último ano, a iniciativa contribuiu para apreensões e recuperação de recursos públicos avaliados em cerca de R$ 200 milhões.

A Itaipu também participa do projeto Áspide Tecnológico, desenvolvido com a Polícia Federal para modernizar o combate aos ilícitos na região de fronteira, além de apoiar ações de segurança cibernética por meio do Centro de Estudos Avançados em Proteção de Estruturas Estratégicas (Ceape), em cooperação com o Exército Brasileiro.

Parceria fortalece atuação integrada

O chefe da Assessoria de Informações da Itaipu, Marco Antônio Farias, apresentou uma palestra sobre a atuação da empresa no Programa Ficco, destacando a importância da integração entre instituições de segurança.

“A parceria com a Itaipu Binacional fortalece essa atuação, contribuindo diretamente para a segurança da usina, dos funcionários e da região de fronteira. A Itaipu mantém convênios com órgãos como Polícia Federal, Receita Federal, Ministério da Justiça e Exército, além de apoiar estruturas como o Nepom.”

Polícia Federal destaca resultados das Ficcos

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado consolidaram um novo modelo de atuação conjunta entre as instituições de segurança pública, reconhecido internacionalmente.

“O crime organizado atua em rede e sem fronteiras, exigindo uma resposta igualmente integrada e cooperativa do Estado. As Ficcos representam uma mudança de paradigma: não são apenas a soma de instituições, mas a multiplicação de capacidades, reunindo inteligência, investigação e atuação operacional conjunta.”

Segundo Rodrigues, atualmente existem 39 Ficcos em funcionamento no país, coordenadas pela Polícia Federal, com atuação baseada na cooperação entre os órgãos participantes.

Ele informou que as operações já resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 800 milhões, além de toneladas de drogas e dezenas de prisões.

“O sucesso não deve ser medido apenas por apreensões, mas também pela desarticulação de organizações criminosas e redução de seu poder. O próximo ciclo prevê reforço na investigação financeira, integração de inteligências, combate ao tráfico de armas e fortalecimento da estrutura e investimentos.”

Governo federal anuncia reforço na estrutura

Representando o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o assessor especial Daniel Veloso Hirata apresentou os principais desafios atuais do combate ao crime organizado, como investigação financeira, tráfico de armas, uso de inteligência artificial e integração entre as forças policiais.

“O crime organizado tornou-se mais complexo, atuando em vários estados e países, com forte estrutura financeira, empresas de fachada e operações sofisticadas. Para enfrentar esse cenário, o governo estruturou uma agenda baseada em fortalecimento institucional, mudanças legislativas e integração operacional.”

Hirata destacou iniciativas como a PEC da Segurança Pública e o Programa Brasil contra o Crime Organizado, estruturado em quatro eixos: combate ao tráfico de armas, esclarecimento de homicídios, segurança nas prisões e asfixia financeira das organizações criminosas.

“A estratégia central é atingir o poder econômico das organizações criminosas, rastreando recursos, identificando ativos ocultos e desarticulando suas estruturas.”

O assessor informou ainda que a meta do governo federal é ampliar o número de Ficcos de 39 para até 50 unidades em todo o país, fortalecendo a inteligência financeira e a cooperação entre os órgãos de segurança.

Segundo a Polícia Federal, as Ficcos promovem a integração de informações, inteligência, recursos e capacidades operacionais entre diferentes instituições, ampliando a prevenção, investigação e repressão ao crime organizado.

Já as Delegacias de Combate aos Crimes contra o Patrimônio e Tráfico de Armas (Delepats) atuam na investigação de crimes patrimoniais, tráfico de armas, contrabando de explosivos e lavagem de dinheiro, além de produzir inteligência policial, consolidar dados estratégicos e coordenar ações técnicas e operacionais em âmbito nacional.


Deixe um comentário

Notícias relacionadas

Siga-nos

Últimas Notícias

Rolê na Fronteira

Turismo

Câmbio Fronteira

Dólar (USD) Carregando...
Peso Argentino Carregando...
Guarani (PYG) Carregando...
Atualização --

Inscreva-se em nossa NEWSLETTER