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Professores da rede privada de BH aprovam greve por tempo indeterminado

Categoria rejeitou proposta de divisão da convenção coletiva entre ensino básico e superior; assembleia na sexta-feira define rumos.

Professores reunidos em assembleia na sede do Sinpro Minas, no bairro Floresta. Foto: Sinpro/Divulgação

Belo Horizonte, MG – Professores das escolas particulares de Belo Horizonte e dos municípios da região metropolitana decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. A paralisação foi aprovada em assembleia realizada na quarta-feira (16), na sede do Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro Minas), localizada no bairro Floresta, na região Leste da capital mineira.

O principal motivo do impasse é a tentativa das entidades patronais de fragmentar a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), instrumento que regulamenta os direitos trabalhistas e as garantias da categoria. Pela proposta rejeitada pelos docentes, o documento seria dividido em dois textos distintos: um para os trabalhadores da educação básica e outro para os docentes do ensino superior.

A categoria cobra a renovação integral e sem alterações da convenção atual, além da aplicação imediata da reposição salarial de 3,77%, percentual correspondente à inflação acumulada no período da data-base.

Segundo as informações divulgadas pelo Sinpro Minas, os donos de estabelecimentos de ensino condicionaram o fechamento do acordo da campanha salarial à aceitação da divisão da convenção coletiva. A disputa trabalhista foi parar na Justiça do Trabalho, mas, de acordo com a representação sindical dos professores, o processo de mediação judicial segue emperrado e sem perspectiva de acordo entre as partes.

“Esse é um debate que precisa envolver pais, mães, estudantes, responsáveis e toda a comunidade escolar. Porque não existe escola de qualidade sem profissionais valorizados, respeitados e com condições dignas de trabalho”, declarou Valéria Morato, presidente do Sinpro Minas.

Uma nova assembleia geral já foi convocada para esta sexta-feira (18), a partir das 9h30, no auditório da Fundação de Educação, Artes e Cultura (Fundac), na região Noroeste de Belo Horizonte, para avaliar a adesão e deliberar sobre os próximos passos da mobilização.

Por outro lado, o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG) contestou o impacto imediato da mobilização. Em comunicado, a entidade patronal sustentou que a “educação não parou” e afirmou que o corpo docente seguiu em sala de aula ao longo da quarta-feira. De acordo com o balanço do sindicato patronal, das cerca de 4.200 escolas da rede privada existentes em Minas Gerais, apenas seis colégios em Belo Horizonte relataram contratempos ou dificuldades operacionais no atendimento a pais e estudantes.

O Sinepe-MG também afirmou manter disposição para negociar. “O SinepeMG segue de portas abertas para o diálogo e para a negociação da Convenção Coletiva de Trabalho, com responsabilidade e compromisso com a educação mineira”, informou a entidade patronal em nota oficial.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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