Brasília, DF – O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou duramente o colega André Mendonça de agir de forma político-eleitoral para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A denúncia foi feita durante a sessão de terça-feira (15), quando Mendes afirmou que as investidas de Mendonça contra o ministro Alexandre de Moraes funcionam como um “pixuleco” armado para jogar a Corte no centro da disputa nas urnas.
Para o decano, o comportamento de Mendonça no inquérito envolvendo o Banco Master atende a interesses escusos. “O interesse é evidente, acachapante, extravagante. Evidente que se trata de um ‘pixuleco’, de um boneco eleitoral. É disso que nós estamos falando”, declarou Gilmar durante o julgamento. Ele criticou a postura do colega de bancada: “André Mendonça inseriu o STF no processo eleitoral” e mantém na apuração uma “evidente condução político-eleitoral. Isso não se faz. Pessoas decentes não fazem isso”. O termo “pixuleco”, além de batizar bonecos infláveis usados em atos políticos e nomear a 17ª fase da Operação Lava Jato em 2015, é comumente empregado no meio político para designar propina ou manobra eleitoreira.
Gilmar Mendes detalhou que Mendonça mandou produzir de ofício centenas de páginas, sem o aval do plenário do STF, com o objetivo exclusivo de juntar citações a Alexandre de Moraes. Ao mesmo tempo, segundo Mendes, Mendonça adotou dois pesos e duas medidas ao ignorar e esconder dados sobre outros nomes citados diretamente, com nome e sobrenome, no aparelho telefônico apreendido de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
A denúncia aponta que Mendonça blindou Flávio Bolsonaro e outros aliados que constavam nas trocas de mensagens e em relações de pagamentos do banqueiro, enquanto vazava e dava visibilidade apenas aos trechos que atingiam Moraes. Mendonça chegou a atuar para barrar o acesso público aos dados do celular de Vorcaro, mas os demais ministros do STF intervieram e determinaram a quebra do sigilo.
Entre os registros divulgados após a abertura dos dados, uma mensagem revelou que o ministro Kassio Nunes Marques, também indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, esteve com garotas de programa contratadas por Daniel Vorcaro em um imóvel pertencente a uma empresa do banqueiro.
Em sua resposta durante a sessão, André Mendonça alegou que não sabia da existência dessas mensagens sobre Nunes Marques e rebateu a acusação de uso eleitoral das investigações, chamando a manifestação de Gilmar Mendes de “leviana”.
Gilmar rebateu e explicou a cronologia dos fatos: Mendonça tinha conhecimento das informações desde abril, quando recebeu o primeiro aviso da Polícia Federal a respeito do conteúdo extraído do celular de Vorcaro. No entanto, o magistrado segurou os dados por meses e decidiu cobrar relatórios formais contra Alexandre de Moraes somente agora, aproveitando a corrida eleitoral para “jogar com o caos”.



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