Brasília, DF – O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou em manifestação oficial enviada à Corte nesta terça-feira (15) que seus filhos, Giuliana e Alexandre, nunca estiveram na Arena MRV, estádio do Atlético Mineiro em Belo Horizonte, e jamais pediram ingressos para assistir a partidas no local. O magistrado contestou diretamente a linha adotada pela Polícia Federal (PF), que analisou registros telefônicos apreendidos com o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, no âmbito de uma apuração que envolve a instituição financeira.
Os relatórios elaborados pela PF citam trocas de mensagens datadas de 12 de maio de 2024. Naquela ocasião, Vorcaro escreveu para Ana Matos, funcionária da área de marketing do Banco Master, avisando que a filha do magistrado faria contato e pedindo que ela recebesse atenção. Ana respondeu confirmando o atendimento e, mais adiante, transmitiu detalhes sobre o confronto entre Atlético e Grêmio no estádio mineiro.
Em outro diálogo registrado nos autos, o banqueiro relatou que Giuliana tinha recebido uma entrada para a área VIP, mas queria acompanhar o irmão Alexandre, cujo bilhete dava acesso a um setor diferente. Vorcaro orientou a equipe a acomodar os dois no mesmo espaço e providenciar uma mesa bem localizada.
Moraes quebrou o silêncio sobre as suspeitas do chamado caso Master em petição encaminhada na segunda-feira (14) ao presidente do Supremo, Edson Fachin. No documento, o ministro garantiu que nunca atuou para beneficiar o banco ou o empresário e reforçou que jamais julgou ações ligadas à instituição.
Além de rechaçar os fatos narrados, Moraes fez duras críticas à condução do processo pelo colega de tribunal André Mendonça. O magistrado classificou as decisões de Mendonça como “inconstitucionais e ilegais”, por ter ordenado medidas de ofício contra um membro da própria Corte sem solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou aval do plenário do STF.
Moraes chamou o conteúdo das conversas anexadas ao inquérito de “diálogos fantasiosos” e “criminosas mentiras”, enfatizando que a abertura de apurações contra ministros sem o rito legal viola as garantias institucionais.



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