Toledo (PR) — O debate sobre cannabis deixou há muito tempo de se restringir aos campos da segurança pública e da criminalização. Cada vez mais presente nas discussões sobre saúde, ciência, direitos e políticas públicas, o tema estará no centro da 5ª edição do Fórum Paranaense de Cannabis, que acontece nos dias 11 e 12 de junho, no campus da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Toledo.
Promovido pelo deputado estadual Goura (PDT), em parceria com associações de familiares e pacientes de cannabis medicinal do Paraná e com o curso de Serviço Social da Unioeste, o encontro se consolidou como um dos principais espaços de articulação sobre o tema no Estado. As inscrições são gratuitas.
Mais do que discutir o uso medicinal da planta, o fórum busca ampliar o olhar sobre questões que impactam diretamente a vida de milhares de famílias. O acesso a tratamentos, a judicialização da saúde, a produção associativa, a pesquisa científica, os efeitos da criminalização e os desafios regulatórios fazem parte dos temas que estarão em debate durante os dois dias de programação.
O crescimento do interesse pela cannabis medicinal acompanha uma realidade cada vez mais presente no sistema de saúde brasileiro. Pacientes com epilepsias refratárias, esclerose múltipla, dores crônicas, transtornos neurológicos e outras condições têm recorrido a medicamentos à base de canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC), muitas vezes após esgotarem alternativas terapêuticas convencionais.
Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, o acesso ainda é marcado por desigualdades. Em diversas situações, famílias precisam recorrer à Justiça para obter medicamentos de alto custo ou buscar apoio em associações que realizam acolhimento, orientação e, em alguns casos, produção autorizada de derivados da cannabis para fins terapêuticos.
Nesse contexto, o Paraná passou a ocupar posição de destaque no debate nacional após a aprovação da chamada Lei Pétala (Lei Estadual nº 21.364/2023), de autoria do deputado Goura. A legislação estabelece diretrizes para o fornecimento de medicamentos e produtos à base de cannabis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estadual.
Segundo o parlamentar, embora a regulamentação represente um avanço importante, ainda existem obstáculos para garantir que o tratamento chegue a todos os pacientes que dele necessitam.
Além das discussões sobre saúde, a programação também abordará temas relacionados à agricultura familiar, sustentabilidade, financiamento de pesquisas, inovação tecnológica e impactos sociais das políticas de drogas. A presença de pesquisadores brasileiros e representantes de instituições da Argentina e da Colômbia evidencia o caráter internacional das discussões e a crescente integração latino-americana em torno da pauta.
Outro destaque será o lançamento da Rede Paranaense de Associações Canábicas, iniciativa que pretende fortalecer a articulação entre entidades que atuam no acolhimento de pacientes, na defesa de direitos e na ampliação do acesso aos tratamentos.
A realização do fórum em Toledo também reforça a proposta de descentralizar o debate. Desde a primeira edição, realizada de forma virtual em 2021, o evento já passou por instituições como a Unila, em Foz do Iguaçu, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a Universidade Estadual de Maringá (UEM), ampliando a participação de pesquisadores, profissionais e movimentos sociais em diferentes regiões do Paraná.
Para os organizadores, discutir cannabis hoje significa discutir saúde pública, produção de conhecimento científico, direitos sociais e alternativas para enfrentar desigualdades no acesso a tratamentos. É um debate que envolve pacientes, famílias, profissionais da saúde, pesquisadores, agricultores e gestores públicos, refletindo transformações que vêm ocorrendo no Brasil e em diversos países da América Latina.
Serviço
5º Fórum Paranaense de Cannabis
📍 Unioeste – Campus Toledo
📅 11 e 12 de junho
🎟️ Inscrições gratuitas
📱 Informações: @forumparanaensedecannabis




















