Brasília, DF – Adversários do candidato à Presidência da República e senador Flávio Bolsonaro (PL) criticaram o parlamentar após a revelação de que páginas oficiais do Senado Federal e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), além de um material biográfico enviado por sua própria campanha, atribuíam a ele um curso de pós-graduação em Ciências Políticas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que nunca existiu. A instituição de ensino confirmou que não possui qualquer registro de matrícula ou passagem do candidato pelo curso.
Diante da repercussão do caso, a assessoria de imprensa do postulante ao Planalto argumentou que as menções incorretas decorreram de “erros ou equívocos, possivelmente extraídos de páginas como a Wikipedia”. Posteriormente, a equipe de Flávio Bolsonaro admitiu a incoerência e informou ter solicitado a correção dos dados junto aos canais oficiais.
A contestação acadêmica gerou forte reação entre os concorrentes na disputa presidencial. O candidato pelo partido Missão, Renan Santos, classificou o episódio como “constrangedor” e “humilhante”, acusando o adversário de agir com má-fé. Em nota pública enviada à imprensa, o candidato ironizou o fato e relembrou questionamentos anteriores feitos por aliados do senador sobre sua própria formação na Universidade de São Paulo (USP).
“Estou vendo com muito humor e com muita curiosidade o Flávio Bolsonaro, que botou seus cachorros para dizerem que o Renan não se formou na USP, querendo me diminuir, agora demonstrando a má-fé dele. Agora a gente descobre que a tal da pós-graduação dele na UFRJ não existiu”, declarou Renan Santos. “Que situação constrangedora, Flávio. Que situação humilhante você ficar simulando e inventando coisas para praticamente tudo. Você já vai dizer que obteve onde o diploma? Na Copenhague?”, complementou. O pré-candidato concluiu afirmando que o caso representa “uma vergonha e mais uma mentira do senhor Flávio Bolsonaro”.
Na mesma linha, o ex-governador de Goiás e pré-candidato pelo PSD, Ronaldo Caiado, estabeleceu um paralelo entre a vida pública e o exercício de profissões regulamentadas. Caiado afirmou que a conduta compromete a ética esperada de um postulante ao cargo máximo do Executivo nacional.
“Se um médico coloca especialização falsa no currículo, perde o CRM. Na vida pública, parece que virou só ‘erro de digitação’. Quem mente no currículo não tem compromisso com a verdade na hora de governar. Isso é um fato!”, criticou o ex-governador goiano.
Em contrapartida às informações incorretas divulgadas nas plataformas institucionais, a assessoria do parlamentar do PL divulgou nota para detalhar a formação acadêmica que alega ser a oficial:
“O senador Flávio Bolsonaro é graduado em Direito pela Universidade Cândido Mendes, pós-graduado em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e tem MBA em Empreendedorismo pela FGV, conforme consta no seu site oficial: flaviobolsonaro.net”, informou a equipe do candidato.
Até o momento da publicação desta reportagem, os demais concorrentes à corrida presidencial não haviam se pronunciado publicamente sobre a divergência no histórico acadêmico do senador.




















