Cianorte, PR – A Itaipu Binacional assinou um convênio de R$ 4.322.240,00 com o Consórcio Intermunicipal de Saneamento do Paraná (Cispar) para fortalecer a política de resíduos sólidos e a coleta de materiais recicláveis na região do Médio Noroeste do Paraná. A assinatura ocorreu na última quarta-feira (3), em Cianorte.
O acordo viabiliza a execução do Projeto ReVira – Transformando Resíduos em Futuro, uma iniciativa construída coletivamente pelos integrantes do Núcleo de Cooperação Socioambiental do Médio Noroeste, dentro do programa Governança Participativa, desenvolvido pela Itaipu Binacional em parceria com o Itaipu Parquetec.
Participaram da cerimônia o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri; o diretor de Coordenação da Itaipu, Carlos Carboni; representantes do Núcleo de Cooperação Socioambiental do Médio Noroeste; os deputados federais Gleisi Hoffmann e Zeca Dirceu; além de prefeitos da região.
“A Itaipu, como um órgão do Governo do Brasil, caminha junto com as políticas públicas federais. E, para nós, o que é prioritário é a vida das pessoas. Um projeto como esse engloba a inclusão social, respeito ao meio ambiente e geração de ocupação e renda”, afirmou Enio Verri.
A assinatura do convênio foi acompanhada por integrantes do Núcleo, que participaram da construção da proposta apresentada à Itaipu.
“Este momento marca o início da execução de um sonho sonhado e construído conjuntamente pelo Núcleo de Cooperação Socioambiental, fruto do compromisso, da dedicação e da união de pessoas e instituições que acreditam na transformação do território por meio da cooperação e da sustentabilidade”, destacou a coordenadora do Núcleo, Samireille Messias.
Projeto ReVira
O Projeto ReVira foi desenvolvido para enfrentar desafios relacionados à gestão de resíduos sólidos, uma das principais demandas identificadas pelos municípios que integram o Núcleo de Cooperação Socioambiental do Médio Noroeste.
A iniciativa envolve os municípios de Cianorte, Cidade Gaúcha, Guaporema, Indianópolis, Japurá, Jussara, Rondon, São Manoel do Paraná, São Tomé, Terra Boa, Tapejara e Tuneiras do Oeste, abrangendo uma população estimada em 154 mil habitantes.
Segundo os idealizadores, o nome ReVira resulta da união das palavras “resíduo” e “virada”, representando a transformação de entulhos, madeiras e resíduos volumosos em novas possibilidades de reaproveitamento.
O projeto prevê a implantação de um modelo regional e integrado de gestão de resíduos sólidos urbanos, com atuação conjunta do Cispar e do Núcleo de Cooperação Socioambiental. A principal ferramenta será um sistema móvel de trituração de resíduos.
O funcionamento da iniciativa será baseado no uso compartilhado de um triturador móvel, que permitirá o processamento dos resíduos diretamente nos municípios atendidos. A medida busca reduzir custos de transporte, evitar descartes inadequados e diminuir o volume de materiais destinados aos aterros sanitários.
A operação será coordenada pelo Cispar, responsável pelo planejamento das rotas, controle de utilização dos equipamentos, manutenção e monitoramento das atividades.
Além das ações operacionais, o projeto contempla atividades de educação ambiental e mobilização comunitária por meio da criação da Brigada Verde. A proposta envolve escolas e entidades locais para incentivar práticas sustentáveis e ampliar a conscientização sobre a destinação correta dos resíduos.
A expectativa é fortalecer a gestão integrada entre os municípios participantes, gerando benefícios ambientais, econômicos e sociais e consolidando um modelo alinhado à Política Nacional de Resíduos Sólidos.
Do valor total do convênio, R$ 266.308,00 correspondem à contrapartida da entidade proponente, enquanto o restante será financiado pela Itaipu Binacional. O prazo de execução previsto é de 12 meses.
Atuação do Cispar
O Cispar reúne 118 municípios paranaenses e atende aproximadamente 2,5 milhões de habitantes. O consórcio atua na gestão do saneamento básico por meio da execução de obras, apoio técnico, elaboração de projetos, gestão de recursos, licitações compartilhadas, capacitação de equipes e captação de investimentos.
A entidade também desenvolve ações voltadas à gestão de resíduos sólidos, incluindo a ampliação de Unidades de Valorização de Recicláveis (UVRs) em parceria com a Itaipu. Atualmente, mais de 50 municípios contam com estruturas modernizadas para fortalecer a reciclagem e melhorar as condições de trabalho dos catadores.
Em 2025, mais de 16 mil toneladas de resíduos deixaram de ser encaminhadas para aterros sanitários por meio dessas iniciativas.
Núcleos de Cooperação Socioambiental
Criados em 2024 dentro do programa Itaipu Mais que Energia, os 21 Núcleos de Cooperação Socioambiental atuam como espaços de diálogo, formação e construção coletiva de soluções voltadas ao desenvolvimento sustentável.
A iniciativa é coordenada pela Itaipu Binacional e pelo Itaipu Parquetec e abrange os 399 municípios do Paraná e 35 municípios do sul de Mato Grosso do Sul, área considerada prioritária pela usina.
Os núcleos adotam a metodologia da governança participativa, promovendo escuta ativa e articulação entre instituições para o desenvolvimento de projetos voltados à melhoria da qualidade de vida das comunidades.
O convênio firmado com o Cispar é resultado desse processo coletivo, no qual os participantes do Núcleo do Médio Noroeste definiram conjuntamente a aplicação dos recursos destinados a projetos socioambientais.
Recentemente, a Itaipu também assinou um convênio com o Núcleo Centro-Sul do Paraná para incentivar a participação de jovens no cultivo de erva-mate. Os demais 19 núcleos seguem em fase de elaboração de projetos e tramitação de propostas.
Itaipu anuncia parque sustentável de R$ 10 milhões em Cianorte
Durante o evento, Enio Verri anunciou a implantação do Parque Integrado à Natureza – Aflotur, em uma área onde funcionou um lixão desativado há mais de 30 anos, em Cianorte.
O investimento previsto é de R$ 10 milhões e integra as ações do programa Itaipu Mais que Energia.
O projeto prevê a criação de um espaço voltado ao turismo, gastronomia, paisagismo e valorização da produção local de flores, com potencial para estimular o turismo rural e a geração de emprego e renda.
A proposta também contempla a recuperação ambiental da área degradada, promovendo sua requalificação e transformação em um novo espaço de convivência e referência turística para a região.


















