Brasília, DF – A operação de desintrusão promovida pelo Governo Federal na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, ultrapassou 90 dias de atuação e já provocou prejuízo superior a R$ 100 milhões aos responsáveis pela exploração ilegal de ouro na região. A ação concentra esforços em operações de inteligência para impedir o retorno de garimpeiros e desarticular a infraestrutura utilizada para manter a atividade criminosa no território indígena.
Desde o início da operação, foram apreendidas e inutilizadas 3,8 toneladas de explosivos, destruídos 199 acampamentos, 829 motores de garimpo e 34 escavadeiras hidráulicas, além de diversos equipamentos empregados na exploração ilegal, totalizando o prejuízo estimado às organizações criminosas.
As equipes também intensificaram o combate às estratégias utilizadas para ocultar a atividade garimpeira. Entre elas, estão a identificação e destruição de túneis subterrâneos escavados para extração de ouro e de bunkers construídos para esconder equipamentos e facilitar o retorno dos invasores após ações de fiscalização.
Até o momento, equipes da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Polícia Rodoviária Federal (PRF), da Polícia Federal (PF) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) localizaram e destruíram 35 bunkers. Outros 33 túneis subterrâneos foram identificados, e seguem sendo demolidos pela Polícia Federal.
“O trabalho é realizado pelo grupo especializado em bombas e explosivos da Polícia Federal. Inicia-se com a inspeção de segurança dos túneis e a perfuração do solo para a implantação dos explosivos, a fim de provocar o colapso dos túneis. É uma fase importante da operação, pois visa impedir o retorno dos garimpeiros ilegais”, explicou o delegado da Polícia Federal, Rodrigo Vitorino.
Segundo a coordenação da operação, a estratégia passou a combinar novas incursões em áreas ainda ocupadas pelo garimpo ilegal com a destruição definitiva da infraestrutura criminosa já identificada.
“Ao mesmo tempo em que novas incursões em áreas de garimpo acontecem, estamos impossibilitando o retorno às áreas já mapeadas, com a completa inutilização da infraestrutura criminosa montada. A exemplo da destruição dos túneis, dos bunkers, das máquinas pesadas e de todo o aparato que os garimpeiros ilegais trouxeram para dentro do território”, afirmou o coordenador-geral da desintrusão, Nilton Tubino.
Terra Indígena Sararé
A Terra Indígena Sararé abriga 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias. O território possui cerca de 67 mil hectares, dos quais aproximadamente 4.200 hectares foram impactados pela atividade garimpeira ilegal.
Homologada em 1985, a área tem registrado, nos últimos anos, o avanço da exploração clandestina de ouro, cenário que motivou a intensificação das ações federais de desintrusão e proteção territorial.





















