FOZ DO IGUAÇU, PR — Um acidente grave ocorrido no trecho navegável do Rio Iguaçu acendeu o alerta sobre a fiscalização do turismo na Tríplice Fronteira. Um jovem turista holandês de 25 anos morreu após o tombamento de um barco do Macuco Safari durante o tradicional passeio nas Cataratas do Iguaçu. A tragédia mobiliza órgãos de controle, serviços públicos de saúde e autoridades marítimas para apurar responsabilidades e reavaliar os protocolos de segurança aquática na unidade de conservação.
A embarcação transportava oito pessoas no momento do incidente: seis visitantes estrangeiros e dois tripulantes brasileiros, composto pelo piloto e copiloto. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, acionado às 12h20 para uma missão de busca e salvamento em água, o jovem sofreu afogamento seguido de parada cardiorrespiratória. Ele recebeu procedimentos de socorro emergencial e acabou encaminhado ao hospital, onde a morte foi confirmada. A vítima estava no parque acompanhado da namorada, dos sogros, da cunhada e da irmã dela. Os demais integrantes da família foram resgatados do rio, sendo que três dispensaram atendimento médico direto e dois precisaram de internamento hospitalar.
A apuração médica das vítimas sobreviventes mobilizou a estrutura do Hospital Municipal Padre Germano Lauck. Em nota oficial, a direção do hospital informou que deu entrada inicial a um cidadão holandês de 49 anos, mantido sob observação médica em quadro estável, e ao genro dele, que passou por avaliação e permaneceu em boas condições clínicas. Posteriormente, a esposa do paciente, de 48 anos, deu entrada na unidade após ser diagnosticada com uma fratura no pé, recebendo o devido tratamento. O hospital reiterou o cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados para preservar detalhes sobre os prontuários e lembrou que um óbito foi verificado ainda durante a ocorrência pelas equipes de resgate.
Marinha apura acidente no turismo de Foz do Iguaçu
Diante do impacto social e econômico do caso, a empresa privada Macuco Safari manifestou-se por meio de nota oficial assinada pela direção, lamentando profundamente a morte do visitante e prestando solidarização à namorada, familiares e amigos. A operadora afirmou que prioriza o suporte humano, logístico e médico aos atingidos e ressaltou que cumpre rigorosamente as exigências e normas da Marinha do Brasil. Como medida imediata, a empresa anunciou a paralisação temporária das operações por três dias, entre quarta e sexta-feira, visando ao luto institucional e à revisão minuciosa das condições de navegação no trecho do rio, com previsão de retorno para sábado.
No âmbito do controle público e da regulamentação do tráfego aquaviário, a Marinha do Brasil informou, via Capitania Fluvial do Rio Paraná, que enviou prontamente uma Equipe de Inspeção Naval ao local do acidente para recolher os primeiros dados e acompanhar os trabalhos do resgate. A Autoridade Marítima confirmou a instauração de um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação, fundamentado na Lei nº 9.537/1997, para detalhar as causas, a dinâmica e as possíveis responsabilidades formais envolvidas no tombamento da embarcação turística no Parque Nacional do Iguaçu.
Histórico aponta outros casos no parque e no lado argentino
O registro desta terça-feira é o segundo evento fatal na trajetória do passeio do Macuco Safari no lado brasileiro das Cataratas do Iguaçu. A tragédia anterior ocorreu em 5 de setembro de 1999, quando dois botes colidiram nas águas do Rio Iguaçu e viraram, resultando na morte de sete pessoas — seis turistas e o piloto Cândido Siqueira, de 23 anos — além de deixar três feridos.
O histórico de navegação na região fronteiriça também inclui um grave episódio registrado do lado argentino das Cataratas, em março de 2011. Na ocasião, uma embarcação da concessionária do país vizinho com dez turistas a bordo virou ao colidir contra formações rochosas nas proximidades do Salto San Martín, o segundo maior do complexo aquático. O choque na área de forte concentração de pedras causou a morte de dois turistas norte-americanos durante a realização do itinerário rotineiro de aproximação das quedas.
Empresa suspende passeios após acidente no turismo de Foz do Iguaçu
A recorrência de eventos trágicos no leito do Rio Iguaçu reforça o debate sobre o rigor das vistorias técnicas e a gestão de riscos nas operações turísticas de aventura na faixa de fronteira, enquanto as autoridades brasileiras avançam na coleta de depoimentos e perícias para concluir o inquérito marítimo.


















