Estudo indica ganho de memória e incentiva debate no Congresso

Estudo indica ganho de memória e incentiva debate no Congresso

Pesquisa com idosos revela ganho de memória e fluxo sanguíneo cerebral, reforçando o debate técnico em Brasília sobre nutrição, vigilância sanitária e apoio à agricultura nacional.

Grão sul-americano possui nutrientes e antioxidantes protetores. Foto: Divulgação.
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BRASÍLIA, DF — Dados recentes sobre os impactos da alimentação na saúde pública reacenderam o debate no Congresso Nacional sobre incentivos à produção de leguminosas no país, após a divulgação de um estudo científico da revista Clinical Nutrition. A pesquisa internacional aponta que o consumo diário de amendoim traz benefícios diretos à memória e ao fluxo sanguíneo cerebral de idosos, reforçando o papel de políticas públicas para a promoção da segurança alimentar e o estímulo ao cultivo do grão de origem sul-americana.

Impacto na Saúde e Incentivo Agrícola

A investigação conduzida por pesquisadores da Holanda avaliou 31 idosos saudáveis ao longo de 16 semanas com testes neuropsicológicos e exames de ressonância magnética. O grupo que ingeriu 60 gramas diárias do produto torrado e com pele apresentou melhora significativa na circulação cerebral. A presença de flavonoides, polifenóis com ação antioxidante e vasodilatadores como a L-arginina foi apontada como decisiva para a proteção cardiovascular e cognitiva, além dos aportes de magnésio, potássio, zinco, vitamina E e fibras.

Especialistas e pesquisadores brasileiros destacam o valor agronômico e nutricional da espécie Arachis hypogaea, domesticada historicamente no Brasil. O cientista de alimentos Adriano Costa de Camargo, professor da Universidade do Chile (UChile) e com histórico de pesquisas na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), ressalta a importância da estrutura do grão. “Ele acumula polifenóis na pele, porque essa estrutura funciona como barreira protetora contra estresses durante o desenvolvimento da espécie”, esclarece o docente sobre a defesa natural da planta contra intempéries e radiação.

Diretrizes de Consumo e Segurança Alimentar

A integração do alimento às políticas de nutrição e dietas populacionais exige cautela e regulação sanitária rígida. A nutricionista Susane Wolfarth Rovedder, do Hospital Israelita Albert Einstein, pondera que os resultados de laboratório não devem ser extrapolados sem critérios. “Uma porção de 30 gramas por dia, aproximadamente um punhado, pode ser considerada adequada para a maioria das pessoas”, orienta Rovedder, alertando para a necessidade de moderação devido ao aporte calórico e lembrando que os testes contaram com número reduzido de voluntários saudáveis. “Portanto, não podemos extrapolar os achados para outras faixas etárias ou para indivíduos com comorbidades, como doenças cardiovasculares ou diabetes”, complementa.

Para a vigilância sanitária e orientação ao consumidor na hora da compra, a nutricionista ressalta a importância da verificação do selo de fiscalização da Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab). “Esse selo identifica empresas participantes de um programa de controle e segurança alimentar, com auditorias e monitoramento voltados à redução do risco de contaminação por aflatoxinas”, explica a especialista do Einstein. Em relação a produtos derivados tradicionais da cultura popular, como paçoca e pé-de-moleque, Rovedder conclui que “eles fazem parte da nossa cultura alimentar e podem ser consumidos ocasionalmente, em porções moderadas, dentro do equilíbrio”, defendendo a atenção aos rótulos para evitar excessos de açúcar e aditivos.


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