Bolívia registra 48 feminicídios em pouco mais de seis meses

Bolívia registra 48 feminicídios em pouco mais de seis meses

Dados oficiais mostram maior concentração de casos em La Paz, enquanto movimentos de mulheres cobram recursos e aplicação efetiva da Lei 348.

La Paz concentra o maior número de feminicídios Foto: EFE.
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La Paz/Bolívia – Bolívia registra 48 feminicídios entre 1º de janeiro e 16 de julho de 2026, segundo dados divulgados pela Procuradoria-Geral do Estado. O número revela a permanência da violência de gênero no país, apesar de uma legislação que prevê pena máxima para o crime e promete às mulheres uma vida livre de violência.

O caso mais recente ocorreu na cidade de Potosí. Uma mulher de 37 anos morreu após ser ferida com uma arma branca pelo companheiro, de 32 anos. O homem foi preso, e as investigações continuam.

La Paz concentra o maior número de vítimas, com 17 casos. Santa Cruz aparece em seguida, com nove, enquanto Cochabamba registra oito e Oruro, cinco.

Chuquisaca e Potosí contabilizam três feminicídios cada. Tarija soma dois casos, e Beni, um.

Além das mortes, a Procuradoria registrou 19.541 denúncias por crimes relacionados à Lei 348 até 15 de junho. A norma, aprovada em 2013, estabelece pena de 30 anos de prisão, sem direito a indulto, para o crime de feminicídio.

A existência da lei, no entanto, não impediu que a violência contra as mulheres permanecesse como um problema estrutural na Bolívia. Organizações feministas denunciam a falta de orçamento, de pessoal especializado e de estruturas capazes de atender e proteger as vítimas, sobretudo nos casos de violência doméstica.

Em 2024, propostas de alteração da Lei 348 apresentadas por parlamentares do Movimento ao Socialismo foram rejeitadas por ativistas. As organizações denunciaram campanhas conservadoras de desinformação e advertiram para o risco de enfraquecimento das garantias previstas na legislação.

Em 2025, a Bolívia encerrou o ano com 81 feminicídios e mais de 46 mil registros de violência contra mulheres. Os números mostram que a resposta institucional continua distante da dimensão do problema.

A Coordinadora de la Mujer, uma das organizações que acompanham a violência de gênero no país, resume essa distância:

“A lacuna entre a norma e a realidade é enorme.”

Movimentos da sociedade civil seguem exigindo políticas públicas efetivas, orçamento suficiente, equipes especializadas e mecanismos capazes de proteger as mulheres e responsabilizar os agressores. A impunidade permanece como um dos principais desafios do sistema judicial boliviano.


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