Lula defende soberania com retomada da UFN-III

Lula defende soberania com retomada da UFN-III

Presidente participou da retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, que receberá mais de R$ 5 bilhões do Novo PAC e prevê geração de 8 mil empregos

Paralisada desde 2015, a UFN-III teve sua retomada confirmada pela Petrobras após nova reavaliação técnica e econômica que atestou a viabilidade do projeto e sua aderência ao Plano de Negócios 2026-2030 da companhia. Foto: Ricardo Stuckert / PR.
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Três Lagoas, MS – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, na última quinta-feira (25), da cerimônia que marcou a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS). O empreendimento da Petrobras receberá investimentos superiores a R$ 5 bilhões por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) e tem como objetivo ampliar a produção nacional de fertilizantes, reduzir a dependência de importações e fortalecer a segurança alimentar.

Durante o evento, Lula destacou a importância estratégica da produção nacional de fertilizantes para a soberania do país.

“Estou orgulhoso porque ainda sonho que a gente vai ter acima de 70% de todo o fertilizante que nós precisamos nesse país. Porque um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz”, afirmou.

A UFN-III estava com as obras paralisadas desde 2015. A retomada foi aprovada pela Petrobras após nova avaliação técnica e econômica que confirmou a viabilidade do empreendimento e sua inclusão no Plano de Negócios 2026-2030 da estatal.

O presidente também ressaltou a meta de reduzir a dependência brasileira da importação de fertilizantes.

“Pode ficar certo: esse país vai construir sua soberania sendo independente de importação de fertilizantes de outro país. É apenas esperar que a gente vai ver o que vai acontecer”, declarou.

Geração de empregos e impacto regional

A previsão é que a retomada das obras gere aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos. O projeto também deve impulsionar a economia regional por meio da contratação de fornecedores e do aumento da demanda por serviços de transporte, hospedagem, alimentação, comércio e construção civil.

Durante o discurso, Lula questionou a paralisação da unidade.

“Um país que é o segundo maior produtor de alimento do mundo, um país que tem tudo para ser o celeiro do mundo de verdade, porque pouco lugar do mundo tem condições de competitividade e de produtividade que nós temos, por que tanta irresponsabilidade de deixar uma fábrica dessa parada?”, disse.

A cerimônia também marcou a assinatura dos principais contratos para a conclusão da planta industrial, consolidando a retomada do empreendimento, que será operado integralmente pela Petrobras.

Ao comentar o papel da estatal, o presidente afirmou que a empresa desempenha funções estratégicas além da exploração de petróleo.

“A Petrobras é uma empresa que tem um papel fundamental na famosa transição energética que esse país está passando. É muito importante para o Brasil e para o mundo”, destacou.

Produção prevista para 2029

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a retomada da UFN-III representa a reconstrução da capacidade produtiva e da engenharia nacional.

“Quando a gente fala em retomada da UFN III, o que estamos falando, dentre outras coisas, é que a gente acredita no Brasil, a gente acredita na Petrobras e a gente acredita na tecnologia e na engenharia brasileira”, afirmou.

Segundo a estatal, quando entrar em operação comercial, prevista para 2029, a unidade terá capacidade para produzir diariamente 3.600 toneladas de ureia granulada e 2.200 toneladas de amônia, totalizando cerca de 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano. O volume corresponde a aproximadamente 16% da demanda nacional pelo fertilizante.

Magda Chambriard também destacou a localização estratégica da fábrica no Centro-Oeste, região responsável por cerca de 40% da demanda brasileira de ureia.

“Isso é emprego na veia, isso é fertilizante para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraná, São Paulo, região que concentra 40% da demanda brasileira de ureia”, afirmou.

Estratégia para reduzir importações

A retomada da UFN-III faz parte da estratégia do Governo Federal e da Petrobras para ampliar a produção nacional de fertilizantes nitrogenados. O plano inclui ainda as unidades Fafen-BA, Fafen-SE e ANSA.

Com todas as plantas em operação, a expectativa da Petrobras é atender cerca de 35% da demanda nacional de ureia até 2029. Antes da reativação dessas unidades, todo o consumo brasileiro do produto era suprido por importações.

Segundo o governo, a ampliação da produção nacional busca reduzir a vulnerabilidade do país diante de crises internacionais e de interrupções nas cadeias globais de suprimentos, como ocorreu durante a guerra na Ucrânia, que afetou a oferta mundial de fertilizantes e elevou os preços do insumo.

Novo PAC e investimentos no município

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, afirmou que a retomada da UFN-III integra os investimentos previstos no Novo PAC.

“Essa é uma obra do Novo PAC. Para que serve o Novo PAC? Para aumentar o investimento em infraestrutura do país. É importante porque gera emprego, gera crescimento no país, é bom para todo mundo, reúne o setor público, reúne o setor privado, as nossas estatais”, disse.

Ela também destacou investimentos federais em Três Lagoas nas áreas de mobilidade urbana, saúde, drenagem e habitação.

“Isso que é o PAC: lida com a grande infraestrutura nacional, mas também com a infraestrutura das cidades”, afirmou.

O prefeito de Três Lagoas, Cassiano Maia, destacou a importância da retomada das obras para o desenvolvimento econômico do município.

“É muito importante receber toda essa comitiva, junto com todos os nossos colegas que trabalham na Petrobras mantendo essa UFN III, que realmente tem sido bem cuidada nesse período, para que hoje a gente consiga estar retomando todo esse processo da obra. É muito importante para o nosso município”, declarou.

A ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou que Três Lagoas se consolidou como um importante polo industrial.

“Três Lagoas hoje é uma referência mundial”, disse.

Ao comentar o empreendimento, acrescentou:

“Nós estamos falando da maior fábrica de fertilizantes nitrogenados da América Latina.”


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