Foz do Iguaçu (PR) — O avanço da estiagem e o aumento das áreas queimadas no Paraná acenderam um sinal de alerta entre agricultores, pecuaristas e comunidades rurais. Com a chegada do inverno e a previsão de temperaturas acima da média, produtores de diferentes regiões do Estado intensificam os cuidados para evitar incêndios que podem destruir lavouras, comprometer a produção, ameaçar rebanhos e colocar vidas em risco.
Mais do que um problema ambiental, o fogo no campo representa uma ameaça direta à segurança alimentar, à renda das famílias rurais e à economia de municípios que dependem da atividade agropecuária. Em muitas localidades, a destruição provocada por incêndios pode significar meses ou até anos de recuperação.
Dados da plataforma MapBiomas mostram que a situação já preocupa antes mesmo do período mais crítico. Entre janeiro e março deste ano, o Paraná registrou 9.025 hectares queimados, uma área quase oito vezes e meia superior à contabilizada no mesmo período de 2025, quando foram atingidos 1.073 hectares.
Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o inverno de 2026 tende a apresentar períodos prolongados de tempo seco. A combinação entre baixa umidade do ar, escassez de chuvas e geadas cria um ambiente favorável à propagação do fogo em áreas agrícolas e florestais.
“O inverno é, historicamente, a estação mais seca do ano no Paraná. Há regiões que podem passar semanas sem registrar precipitação significativa, aumentando consideravelmente o risco de incêndios”, explica o meteorologista Samuel Braun.
Prevenção começa antes das chamas
Especialistas apontam que a maioria dos incêndios rurais tem origem em ações humanas, seja por descuido, falhas em equipamentos ou práticas inadequadas dentro das propriedades.
Por isso, medidas simples podem fazer a diferença. A manutenção preventiva de máquinas agrícolas, a retirada de materiais inflamáveis acumulados, a limpeza de áreas próximas às lavouras e o abandono definitivo das queimadas como ferramenta de manejo são algumas das recomendações.
Com a proximidade das festividades juninas, período tradicionalmente marcado pelo uso de fogueiras e artefatos que podem provocar focos de incêndio, o alerta se torna ainda maior nas comunidades rurais.
“O incêndio acontece onde a prevenção falha”, resume o técnico do Sistema FAEP, Neder Maciel Corso.
Capacitação reduz prejuízos
Além dos cuidados preventivos, a formação de brigadistas e a capacitação de produtores rurais têm se tornado ferramentas fundamentais para reduzir danos.
Desde 2010, o Sistema FAEP já capacitou mais de 10 mil pessoas para atuar na prevenção e no combate a incêndios florestais. Somente entre janeiro e maio deste ano foram realizados 65 cursos voltados a trabalhadores rurais, empresas florestais e profissionais ligados ao setor sucroenergético.
A orientação é que os produtores conheçam técnicas básicas de identificação de riscos, primeiros procedimentos de combate e estratégias para evitar que pequenos focos se transformem em incêndios de grandes proporções.
Campo mais vulnerável
Em diversas regiões do Paraná, a distância entre as propriedades rurais e unidades do Corpo de Bombeiros torna a resposta a incêndios mais lenta. Isso faz com que a preparação dentro das próprias comunidades rurais seja decisiva para conter as chamas antes que elas avancem.
Ferramentas manuais, bombas costais, caminhões-pipa e a construção de aceiros — faixas sem vegetação que dificultam a propagação do fogo — estão entre as estruturas consideradas essenciais para reduzir riscos.
Também é recomendável que os produtores tenham identificadas fontes de água próximas às propriedades para uso emergencial em situações de incêndio.
Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, os próximos meses exigem atenção permanente.
“O período de maior risco segue até outubro. É preciso que todos estejam preparados e atentos. Não é momento para descuidar da prevenção”, alerta.
Com a perspectiva de um inverno mais seco e o aumento expressivo das áreas queimadas no Estado, especialistas reforçam que prevenir continua sendo a forma mais eficiente de proteger não apenas a produção rural, mas também as famílias que vivem e trabalham no campo.



















