Faturamento da carne de peru dispara, enquanto produtores cobram apoio

Faturamento da carne de peru dispara, enquanto produtores cobram apoio

Estado registra crescimento nas vendas ao exterior e busca reconstruir uma atividade que já liderou nacionalmente.

Avicultores relatam custos elevados e margens apertadas. Sistema Faep.
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Curitiba (PR) — O Paraná voltou a aparecer entre os principais produtores e exportadores de carne de peru do Brasil. Os números dos primeiros meses de 2026 mostram uma recuperação da atividade após um longo período de retração provocado pelo fechamento de frigoríficos e pela desestruturação da cadeia produtiva no Estado. Apesar do avanço nas exportações e do aumento do faturamento, produtores afirmam que a melhora ainda não chegou às propriedades rurais.

Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), apontam que o Paraná exportou 4,7 mil toneladas de carne de peru entre janeiro e abril deste ano. O volume representa crescimento de 6,9% em comparação com o mesmo período de 2025.

O resultado coloca o Estado na terceira posição nacional, atrás apenas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre os principais produtores brasileiros, porém, o Paraná foi o que apresentou o maior crescimento proporcional.

O avanço mais expressivo ocorreu na receita gerada pelas exportações. O faturamento saltou 113,1% em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado, alcançando US$ 22,6 milhões.

O principal destino da carne de peru produzida no Paraná foi o México, responsável pela compra de 2,4 mil toneladas. Em seguida aparecem Chile, com mil toneladas, e Peru, com 415 toneladas.

Os números ajudam a contar uma história de recuperação de uma atividade que já ocupou posição de destaque na economia agropecuária paranaense.

Durante anos, o Paraná foi referência nacional na produção de perus e chegou a liderar o setor no país. Esse cenário começou a mudar com o fechamento de frigoríficos especializados que sustentavam a cadeia produtiva.

A unidade de Carambeí encerrou as atividades em 2010. O golpe mais profundo veio em 2018, quando a BRF fechou sua planta de Francisco Beltrão, no Sudoeste do Estado. A decisão afetou produtores integrados, trabalhadores da indústria e municípios que dependiam economicamente da atividade.

A retomada começou apenas em 2021, quando uma planta frigorífica da região foi habilitada para exportar ao México, mercado que hoje se consolidou como principal comprador da proteína produzida no Paraná.

Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o crescimento das exportações representa um passo importante para a reconstrução do setor.

“O Paraná já chegou a ser o maior produtor nacional de perus e referência na exportação desta proteína. Essa retomada é importante para o Paraná, pois movimenta uma importante cadeia produtiva, gerando renda e emprego”, afirma.

Apesar da recuperação dos indicadores econômicos, a realidade enfrentada pelos produtores ainda está distante dos números apresentados pelas exportações.

Em Francisco Beltrão, um dos municípios historicamente ligados à atividade, o produtor Ivan da Silva relata que os custos de produção continuam pressionando a renda das famílias rurais.

“Os custos de produção são mais altos que o rendimento. As despesas seguem elevadas, com manutenção, energia e outros insumos”, resume.

Segundo ele, o crescimento das vendas externas ainda não trouxe mudanças concretas para quem permanece produzindo.

“Até o momento, esse aumento não é perceptível para o produtor. A situação está complicada”, desabafa.

A avaliação expõe uma realidade comum em diversos segmentos da integração agroindustrial brasileira: enquanto a indústria amplia mercados e melhora o desempenho nas exportações, produtores seguem enfrentando margens apertadas e dificuldades para equilibrar os custos da atividade.

Ivan também defende políticas que contribuam para fortalecer a produção e garantir maior segurança econômica aos agricultores.

“Esperamos melhores remunerações e um olhar mais atento do governo na parte de juros e incentivo”, afirma.

O próprio Sistema FAEP reconhece que a recuperação da cadeia não pode ser medida apenas pelos indicadores de exportação.

“Embora os números indiquem um novo momento para o setor, a retomada só será consolidada quando o crescimento das exportações também se refletir em renda, segurança e estabilidade para quem permanece produzindo no campo”, destaca Meneguette.

Tradicionalmente associada às festas de fim de ano, a produção de perus mantém atividade durante todo o ano, especialmente para atender a demanda da indústria de alimentos processados, como a produção de peito de peru e outros derivados.

Diante dos desafios enfrentados pelos produtores, o Sistema FAEP orienta que demandas relacionadas à atividade sejam encaminhadas por meio da Comissão Técnica de Avicultura da entidade, que presta suporte técnico, econômico e jurídico aos produtores rurais.

Mais informações podem ser acessadas nos canais do Sistema FAEP: https://www.sistemafaep.org.br


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