MARECHAL CÂNDIDO RONDON, PR — A trajetória da Queijaria Meu Propósito, localizada no distrito rural de Margarida, em Marechal Cândido Rondon, tornou-se um marco para as políticas de incentivo à agroindústria familiar e ao desenvolvimento rural ao vencer o Prêmio Queijos do Paraná. Após obter a medalha Super Ouro na segunda edição da premiação promovida pelo Sistema FAEP em junho de 2025, o empreendimento conquistou 11 medalhas na 9ª edição do Prêmio Queijo Brasil, realizada entre 23 e 26 de julho em Blumenau (SC), acumulando três ouros, quatro pratas e quatro bronzes. A valorização da produção regional reforça o impacto de programas estaduais na autonomia econômica e no fortalecimento do setor leiteiro no interior paranaense.
A consolidação do negócio familiar ocorreu a partir de um cenário de severas restrições financeiras. A produtora Rosane Wirzius Borosky, sem experiência prévia na fabricação de derivados lácteos, buscou alternativas para evitar o encerramento das atividades na propriedade. “Eu não sabia fazer queijo. Me ajoelhei e pedi para Deus uma luz. Veio a receita desse queijo na minha cabeça. Fiz exatamente o que a minha intuição mandou e deu certo. Esse queijo ficou entre os dez melhores do Paraná”, relata Rosane. O Queijo da Motta, feito com leite de vacas Jersey, alcançou nota 98,45 no certame estadual, garantindo a premiação máxima pelo sabor suave e textura amanteigada.
O impacto do Prêmio Queijos do Paraná
O avanço das agroindústrias artesanais integra a estratégia de desenvolvimento rural promovida pelas entidades do setor agrícola. O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destaca que o incentivo à qualidade busca transformar a estrutura produtiva nas propriedades familiares. “Quando idealizamos o concurso, o objetivo era fortalecer a cadeia produtiva do leite, presente em todos os municípios do Paraná, agregar valor à produção, incentivar a qualidade e criar novas oportunidades para as famílias rurais”, declara Meneguette. O dirigente salienta a relevância do modelo para a permanência dos produtores na atividade. “A história da Rosane traduz exatamente esse propósito. Ela enfrentou dificuldades, quase desistiu, mas acreditou no potencial da própria produção e no sonho da família. O reconhecimento mostra que o produtor pode alcançar a excelência, conquistar mercados e transformar a realidade da propriedade. É esse caminho que queremos estimular”, completa.
A premiação modificou o perfil de comercialização do estabelecimento, antes restrito a feiras locais e vendas diretas informais. Segundo a produtora, a visibilidade atraiu supermercados regionais e novos perfis de consumidores. “O primeiro dia de feira depois do resultado esgotou completamente o estoque daquele queijo. Uma procura muito maior do que imaginávamos”, afirma Rosane, acrescentando que passou a atender clientes de maior poder aquisitivo e de outros municípios. A expansão exigiu adequações na infraestrutura, aquisição de equipamentos e divisão de tarefas familiares no manejo de pastagens e no processamento. Em maio deste ano, a propriedade obteve a certificação pelo Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf), documento expedido pelos órgãos de fiscalização que autoriza a venda do produto de origem animal em todos os municípios paranaenses.
A mudança de patamar produtivo redefiniu a inserção dos pequenos produtores no mercado agrícola. “Sempre me incomodou ver o produtor depender exclusivamente dos laticínios. O Super Ouro ajudou a mostrar que uma pequena propriedade pode produzir um alimento de excelência e conquistar seu próprio espaço no mercado”, pontua Rosane. Ela ressalta o impacto subjetivo do respaldo institucional: “Antes do Super Ouro, eu não tinha confiança para falar do meu produto. Hoje eu digo, com orgulho, que estou entre os melhores queijos do Paraná e do Brasil. Os prêmios trouxeram coragem para acreditar no nosso trabalho. Essa valorização não tem preço. Prova que a nossa agroindústria familiar pode produzir um queijo de excelência e ser reconhecida em âmbitos estadual e nacional”.
Inscrições abertas no Prêmio Queijos do Paraná
As ações para o fortalecimento da cadeia láctea terão continuidade com a abertura das inscrições para a terceira edição do Prêmio Queijos do Paraná, que permanecem disponíveis até 1º de maio de 2027. A iniciativa é organizada por um comitê gestor integrado pelo Sistema FAEP, Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite/PR), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/PR), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac/PR) e Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR/PR). O evento registrou 291 produtos inscritos na edição de 2023 e 477 em 2025, projetando a participação de aproximadamente 600 queijos para o próximo ciclo.
A programação de 2027 incluirá a primeira edição do Concurso Queijo Colonial do Paraná, modalidade exclusiva direcionada à produção tradicional, com estimativa de reunir 100 participantes. As etapas de julgamento técnico e as atividades institucionais ocorrerão nos dias 2 e 3 de junho de 2027, nas dependências do Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, com expectativa de público de 1,2 mil pessoas em palestras e minicursos. “O prêmio já está consolidado como uma importante ferramenta de valorização da produção estadual, que permite conhecimento, abertura de mercados, fortalece a autoestima dos produtores e cria oportunidades para que mais famílias permaneçam no campo. O Paraná tem queijos de excelência e estamos mostrando isso para todo o Brasil”, conclui Meneguette.
SERVIÇO E TRANSPARÊNCIA PÚBLICA:
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Inscrições para a 3ª edição do Prêmio Queijos do Paraná e 1º Concurso Queijo Colonial do Paraná
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Inscrições abertas até 1º de maio de 2027; julgamento nos dias 2 e 3 de junho de 2027
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Etapa presencial no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba (PR); inscrições online
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Inscrições pelo link oficial do evento https://bit.ly/4fDoGdo
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Sistema FAEP, IDR-Paraná e entidades do comitê gestor


















