Curitiba, PR – Produtores rurais do Paraná podem acessar uma subvenção federal maior para contratação de seguro rural por meio da adoção de boas práticas de manejo e conservação do solo nas culturas de soja e milho segunda safra. A iniciativa faz parte do Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM), ferramenta que classifica áreas agrícolas conforme critérios que contribuem para a redução dos riscos climáticos.
O projeto-piloto, lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) com metodologia desenvolvida pela Embrapa, prevê recursos específicos de R$ 1 milhão para cada cultura. Além disso, produtores enquadrados em níveis mais elevados de manejo podem receber percentuais maiores de subvenção no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).
A metodologia considera indicadores relacionados à qualidade do manejo do solo, especialmente fatores que aumentam a infiltração e a retenção de água. Nesse contexto, o Nível de Manejo 1 (NM1) representa a condição básica de risco, enquanto o NM4 corresponde à melhor condição produtiva e, consequentemente, ao maior benefício no seguro.
“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
“Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.
Projeto será ampliado para outros Estados na safra 2026/27
A fase piloto teve início na safra 2025/26 exclusivamente no Paraná. Durante esse período, 28 áreas de produção foram classificadas dentro do modelo de subvenção diferenciada.
Já para a safra 2026/27, o programa entrará na fase II. Dessa forma, produtores de soja dos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul poderão participar. No caso do milho segunda safra, a iniciativa contemplará produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul.
Como solicitar a classificação no ZarcNM
Para acessar a subvenção diferenciada, o primeiro passo é realizar uma análise de solo em um laboratório credenciado. Embora a metodologia seja semelhante às análises convencionais, os laboratórios habilitados conseguem registrar os dados diretamente no Sistema Integrado de Níveis de Manejo (SiNM), desenvolvido pela Embrapa.
“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7 da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP.
Em seguida, o produtor deve procurar um operador de contrato credenciado para realizar a análise por sensoriamento remoto e inserir as informações no sistema da Embrapa. A partir desses dados, a plataforma calcula automaticamente o nível de manejo do talhão.
Posteriormente, as informações são encaminhadas ao governo federal, que define o percentual de subvenção com base em seis indicadores técnicos:
- Tempo sem revolvimento do solo;
- Cobertura do solo com palhada;
- Saturação por bases (V%);
- Teor de cálcio;
- Saturação por alumínio;
- Histórico de diversidade de cultivos.
Três desses critérios são avaliados por meio da análise de solo. Os demais são verificados por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados.
Além disso, conforme orientação da Embrapa, áreas com declividade superior a 3% devem adotar semeadura em nível ou em contorno em pelo menos 75% da gleba para enquadramento nos níveis 2, 3 ou 4.
Percentuais de subvenção variam conforme o nível de manejo
Segundo o Sistema FAEP, produtores enquadrados a partir do Nível de Manejo 2 já passam a receber subvenção superior ao percentual padrão do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.
“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, explica Ana Paula Kowalski.
Para a cultura do milho segunda safra, os percentuais são:
- NM1: 40%;
- NM2: 45%;
- NM3: 50%;
- NM4: 50%.
Já para a cultura da soja, os percentuais são:
- NM1: 20%;
- NM2: 30%;
- NM3: 35%;
- NM4: 40%.
A relação completa dos operadores credenciados está disponível na página da Rede Zarc da Embrapa: embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

















