Oposição propõe mudanças em projeto sobre relatórios de abortamento no Paraná

Oposição propõe mudanças em projeto sobre relatórios de abortamento no Paraná

As emendas são de autoria do deputado Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição na Alep. O substitutivo geral foi apresentado pela deputada Ana Júlia Ribeiro (PT), líder do Bloco PT-PDT. Foto Créditos: Orlando Kissner/Alep.
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Curitiba, PR – A Bancada de Oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) apresentou duas emendas e um substitutivo geral ao Projeto de Lei nº 830/2025, que obriga hospitais, clínicas e maternidades públicas e privadas a enviarem relatórios sobre atendimentos relacionados a abortamentos à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

A proposta, de autoria do deputado Márcio Pacheco (PP), foi retirada da ordem do dia da sessão de 9 de fevereiro e deve retornar à pauta após acordo entre o Governo do Estado e o autor do projeto. As sessões plenárias da Alep serão retomadas na próxima segunda-feira (23), após o recesso de Carnaval.

As emendas foram protocoladas pelo deputado Arilson Chiorato (PT), líder da Oposição na Casa. O substitutivo geral foi apresentado pela deputada Ana Júlia Ribeiro (PT), líder do Bloco PT-PDT.

De acordo com o texto original, os estabelecimentos de saúde deveriam encaminhar relatórios periódicos à Sesa com informações detalhadas sobre atendimentos relacionados a abortamento. Para o deputado Arilson, a proposta, na forma como está redigida, apresenta riscos.

“Do jeito que está, esse projeto pode expor mulheres que já passam por situações muito difíceis. Nosso papel aqui é proteger, não constranger. Dado de saúde não pode virar instrumento de medo ou perseguição. Política pública se faz com cuidado e respeito”, afirmou.

Emendas propõem mudanças na obrigatoriedade

A primeira emenda apresentada pelo líder da Oposição retira a obrigatoriedade imposta aos estabelecimentos de saúde e transforma o envio das informações em possibilidade facultativa. Segundo o parlamentar, a alteração busca eliminar vício de iniciativa e evitar que hospitais públicos sejam submetidos a novas obrigações criadas por lei de origem parlamentar.

A segunda emenda modifica o trecho que atribui deveres à Secretaria de Estado da Saúde. O objetivo é evitar a criação de atribuições consideradas inconstitucionais e reduzir o risco de violação da intimidade de pacientes e profissionais de saúde.

Em parecer técnico, a própria Sesa se manifestou contrária ao projeto. A Secretaria informou que os dados sobre esses atendimentos já são registrados nos sistemas oficiais do Sistema Único de Saúde (SUS), o que tornaria desnecessária a criação de novos relatórios. O órgão também alertou que a divulgação dessas informações pode expor mulheres em situação de vulnerabilidade, mesmo sem identificação direta, e recomendou a não aprovação da proposta.

Substitutivo prevê uso de dados já existentes e atendimento humanizado

O substitutivo geral apresentado pela deputada Ana Júlia Ribeiro reformula integralmente o projeto. O novo texto elimina a exigência de criação de relatórios adicionais e de novas obrigações para hospitais e clínicas.

A proposta passa a prever o uso exclusivo de dados já disponíveis nos sistemas nacionais de informação em saúde, com divulgação de forma agregada, anonimizada e organizada por regiões de saúde e séries históricas. O modelo, segundo a parlamentar, impede a identificação direta ou indireta das pacientes.

O substitutivo também estabelece diretrizes para a criação de um Protocolo de Atendimento Humanizado e de Não Revitimização, com foco no sigilo, no acolhimento psicológico e no respeito à autonomia das mulheres atendidas na rede pública e privada.

“Transparência em saúde pública não pode significar exposição de mulheres. Nosso substitutivo garante o uso de dados já existentes, de forma agregada e anonimizada, sem criar novos relatórios ou constrangimentos. O que está em jogo aqui é o direito ao sigilo, ao atendimento humanizado e à vida de mulheres que já chegam ao sistema de saúde em situação de extrema vulnerabilidade. Política pública precisa ser feita com responsabilidade, não com perseguição”, declarou a deputada.

As emendas e o substitutivo contam com o apoio dos deputados Dr. Antenor (PT), Goura (PDT), Luciana Rafagnin (PT), Professor Lemos (PT), Renato Freitas (PT) e Requião Filho (PDT), além dos parlamentares Arilson Chiorato e Ana Júlia Ribeiro.

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