Buenos Aires, Argentina – O número de jovens mortos por suicídio na Argentina ultrapassou os registros de homicídios e de colisões de trânsito. A escalada transformou as mortes autoprovocadas na causa mais frequente de mortes violentas nessa faixa etária, em um contexto de desestruturação econômica, quebra de vínculos cotidianos e ausência de perspectivas de futuro para a juventude.
Os casos atingiram em 2025 o patamar mais alto já apurado no país, segundo levantamento divulgado em agosto pelo Observatório de Política Criminal (OPC). Com esse resultado, a Argentina passou a ocupar o terceiro lugar em ocorrências do tipo em toda a América do Sul.
A taxa nacional alcançou 11,8 registros a cada 100 mil habitantes. A expansão de 43,9% verificada entre 2017 e 2025 escancara o colapso na assistência pública à saúde mental e afeta diretamente a fatia da população que enfrenta maiores dificuldades de inserção no trabalho e continuidade nos estudos.
No Brasil, como termo de comparação regional, o suicídio responde por 4% das mortes entre pessoas de 15 a 29 anos, mantendo uma proporção média de 7 a 8 ocorrências a cada 100 mil habitantes.
Em números absolutos, o Sistema Nacional de Informações Criminais (SNIC), órgão do Ministério da Segurança Nacional da Argentina, contabilizou 3.304 mortes em 2017, quando a taxa era de 8,2 por 100 mil habitantes. Em 2024, o total foi de 4.249 casos e, no ano seguinte, atingiu 5.209 mortes no território argentino.
A crise atinge com intensidade faixas etárias ainda menores e tem recorte de gênero. A pesquisa “Estudantes argentinos: um apelo à prevenção na saúde mental de adolescentes e jovens”, realizada pela Universidade Austral e publicada no ano passado, atesta que o suicídio se tornou a causa primária de morte entre cidadãos de 15 a 34 anos.
O estudo da instituição de ensino apurou ainda que, já em 2023, essas mortes passaram ao topo das causas de óbito de meninas e jovens mulheres de 10 a 19 anos no país vizinho.
O estrangulamento da rede assistencial fica visível tanto nos centros urbanos quanto nos hospitais. Na capital, Buenos Aires, as mortes registradas saltaram de 171 em 2024 para 236 em 2025.
Ao mesmo tempo, levantamentos da Curadoria Pública mostram o avanço dos pedidos de socorro imediato: os recolhimentos em unidades de saúde por risco iminente de suicídio subiram de 596 casos em 2023 para 686 acolhimentos em 2025.



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