Washington, D.C. – O Partido Democrata dos Estados Unidos subiu o tom contra o governo de Donald Trump após a concessão de visto e a acolhida ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Miami. A oposição no Congresso norte-americano cobra esclarecimentos do secretário de Estado, Marco Rubio, apontando conluio diplomático para blindar um político da extrema direita que fugiu das apurações judiciais no Brasil após a derrota nas urnas.
O parlamentar brasileiro desembarcou na Flórida após descumprir determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes. No Brasil, ele responde a investigações por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A reação democrata expõe a contradição central da gestão republicana na política migratória, que endurece a repressão contra requerentes de refúgio ao mesmo tempo em que oferece salvo-conduto a aliados políticos investigados.
A bancada democrata na Comissão de Relações Exteriores da Câmara ressaltou a duplicidade de critérios adotada pelo Departamento de Estado:
“Nenhum asilo para pessoas que fogem da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro. Aparentemente, fugir da violência não se qualifica. Negar os resultados das eleições, sim.”
O deputado federal Joaquin Castro (Texas), liderança democrata na Subcomissão do Hemisfério Ocidental, contestou as justificativas para acolhida política:
“Perder uma eleição não é motivo para asilo. O governo Trump deve explicações ao Congresso sobre seu papel em ajudar Bolsonaro a fugir do Brasil em violação à legislação brasileira.”
No mesmo sentido, o deputado Jim McGovern (Massachusetts) denunciou a atuação de Marco Rubio para interferir na jurisdição brasileira:
“Flávio Bolsonaro é um cidadão estrangeiro sob investigação criminal. Rubio está agindo em conluio com ele para escapar da Justiça. Fascistas covardes e bandidos autoritários costumavam fugir para a Rússia ou Arábia Saudita para evitar a responsabilização. Esta administração os acolhe nos Estados Unidos. Repugnante.”
O deputado Shri Thanedar (Michigan) cobrou a aplicação de medidas legais e a deportação imediata do senador:
“O secretário Rubio poderia deportá-lo por ser um fugitivo internacional, mas duvido que ele tenha coragem. Parabéns ao Brasil, a democracia sempre vence!”
As críticas também atingiram a retórica de segurança e gastos públicos da administração republicana. O deputado Morgan McGarvey (Kentucky) ironizou as promessas de controle de fronteira:
“O governo Trump diz que não quer criminosos entrando em nosso país. A menos que sejam tão corruptos quanto ele.”
O vice-presidente do Comitê Nacional Democrata, Malcolm Kenyatta (Pensilvânia), reforçou o choque humanitário gerado pela medida:
“Deixe-me ver se entendi: se você é um líder corrupto de direita que perde uma eleição e está sob investigação, recebe asilo? Mas, se você é uma mãe com seu filho fugindo da violência, não recebe?”
O candidato democrata Isaiah Martin (Texas) frisou o uso de recursos públicos na estadia da comitiva brasileira:
“Agora, o contribuinte americano vai arcar com os custos para proteger sua família criminosa e suas viagens de luxo pelo nosso país.”
O senador Andy Kim (Nova Jersey) denunciou a desigualdade jurídica criada pela Casa Branca:
“Trump está basicamente concedendo a Bolsonaro o Status de Proteção Temporária, enquanto o retira de inúmeros haitianos, afegãos e outros que construíram suas vidas nos Estados Unidos.”



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