Paranaguá, PR – Moradores da Ilha do Mel fecharam o trapiche de Encantadas nesta quarta-feira (28) e impediram o desembarque de catracas eletrônicas enviadas pelo Governo do Estado. A barreira popular travou a chegada dos equipamentos que estruturam o novo sistema de controle e cobrança de acesso ao território.
O projeto estadual prevê bloqueios físicos e totens de reconhecimento facial nos pontos de embarque e desembarque da ilha. Além do monitoramento de fluxo, o plano inclui a futura cobrança de taxa de permanência de visitantes.
A comunidade já havia rejeitado as catracas em março deste ano, durante as audiências da Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) realizadas em Encantadas e Nova Brasília. O Executivo paranaense, no entanto, ignorou as decisões locais e deu andamento à montagem da infraestrutura tecnológica.
Moradores apontam que a prioridade do Estado inverte as urgências da ilha. Em vez de monitoramento eletrônico, as comunidades cobram investimentos básicos em saneamento, coleta e tratamento de resíduos, contratação de professores, atendimento médico regular e reformas nas trilhas.
Nas reuniões do primeiro semestre, representantes estaduais assumiram o compromisso de que nenhuma taxa seria cobrada antes da entrega de melhorias estruturais. Em Nova Brasília, o governo também garantiu abertura para alterações no projeto, mas enviou o maquinário sem concluir as intervenções prometidas.
Enquanto os serviços essenciais seguem sucateados, os repasses para o controle de acesso continuam em ritmo acelerado. O contrato para implantar e operar o sistema custa R$ 9,96 milhões aos cofres públicos, dos quais mais de R$ 5,3 milhões já foram pagos à empresa contratada, mesmo sem o início das operações.
A oposição parlamentar acompanha o conflito. O deputado estadual Goura (PDT) e a deputada federal Carol Dartora (PT) formalizaram apoio à mobilização dos moradores e cobram o cumprimento da consulta prévia.
“É dever do governo respeitar a comunidade e prezar pelo diálogo nesse momento. Todo meu apoio à população da Ilha do Mel. Vamos continuar acompanhando e buscando um entendimento que contemple as necessidades das comunidades.”
A população de Encantadas e Nova Brasília mantém vigília nos pontos de atracação e afirma que não permitirá a entrada de novas remessas de equipamentos enquanto o governo não responder às carências do território.



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