São Paulo, SP – A Prefeitura de São Paulo descumpriu a ordem da Justiça Eleitoral que determinou a circulação de 100% da frota de ônibus municipais neste domingo de votação (25/10). No início da tarde, às 13h20, 28,3% dos veículos continuavam parados nos pátios das empresas de transporte, segundo dados em tempo real da plataforma Infobus.
O índice reduzido levou o Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), a anunciar que pedirá ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) a prisão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O pedido deve incluir também o Secretário Municipal de Transporte, Celso Jorge Caldeira, e o presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges.
Em publicação nas redes sociais, Boulos citou como precedente a ação movida pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que pediu a prisão do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), pelo mesmo motivo.
O monitoramento do Infobus apontou que apenas 9.892 dos 13.790 ônibus da SPTrans estavam nas ruas no início da tarde, número que inclui os veículos parados em pontos finais. Ao todo, 3.898 veículos permaneceram nas garagens.
A Justiça Eleitoral havia determinado na sexta-feira (23) que a prefeitura e a SPTrans colocassem em operação a totalidade da frota, com escalas de dias úteis, para viabilizar o deslocamento da população até as seções eleitorais. No Rio de Janeiro, usado como base de comparação, a circulação atingiu 100%, sem contar os carros retidos para reparos mecânicos.
A gestão Nunes vinha afirmando que adotaria no segundo turno o mesmo esquema do primeiro turno, com oferta equivalente à de sábado. A prefeitura alegou ter repassado a ordem judicial às empresas no sábado (24), mas não informou o horário em que o aviso foi feito.
Nunes tem atuado diretamente na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e enfrenta acusações de assédio eleitoral. O desfalque no transporte coletivo afeta diretamente o direito de voto, atingindo principalmente os moradores dos bairros periféricos que dependem exclusivamente das linhas de ônibus.
Em diversas rotas, o volume de veículos recolhidos superava os carros em operação. Na linha Vila Carrão – Praça da Sé, programada para rodar com 17 ônibus, apenas um realizava o trajeto no começo da tarde.
Rodrigo Faria G. Iacovini, diretor executivo do Instituto Pólis e integrante do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte, explicou que a operação dificilmente alcança 100% por causa de manutenções de rotina, mas deveria superar 85% ou 90%. O sistema operava com 71,7%.
Iacovini também relatou atrasos na comunicação com os motoristas:
“Os motoristas disseram que a ordem pra virem trabalhar hoje chegou tarde, depois das 18h de ontem, segundo algumas pessoas do campo apuraram.”
Na sexta-feira, o Instituto Pólis havia encaminhado um ofício à SPTrans e à prefeitura solicitando frotas e intervalos de dias úteis até o encerramento do horário de votação, com atenção às áreas periféricas. O poder público não respondeu à solicitação.
Outras conexões importantes da cidade também registraram desfalque. A linha Shopping Center Norte – Jd. Fontális, que atende a ligação entre a Marginal Tietê e o extremo da zona norte, funcionava com 11 carros e mantinha sete parados.
Duas linhas de grande movimento que saem do Terminal Santana em direção aos terminais Ana Rosa e Jabaquara, na zona sul, operavam com 24 ônibus no trânsito, enquanto 33 permaneciam recolhidos nos pátios.



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