Brasília, DF – A apuração dos votos da comunidade brasileira no exterior começou a traçar o mapa eleitoral do segundo turno neste domingo (25). Com o encerramento do horário de votação na Ásia e na Oceania, os boletins de urna registraram uma disputa voto a voto entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, refletindo divisões políticas já verificadas em pleitos passados.
O contingente de eleitores vivendo fora do Brasil chega a cerca de 900 mil pessoas aptas a votar. A dimensão desse colégio eleitoral tem peso crescente nas decisões nacionais, embora a participação enfrente gargalos estruturais de deslocamento e logística, como mostram os dados do TSE sobre o eleitorado no exterior. As seções funcionaram das 8h às 17h, no horário local de cada país.
A circulação dos boletins de urna ocorre logo após o encerramento de cada seção eleitoral nos consulados e embaixadas. Contudo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) só divulga os números oficiais consolidados a partir das 17h, pelo horário de Brasília, quando fecham as urnas em todo o território nacional.
Nos países onde a votação já terminou, os dados apontam marcas distintas por região. Lula obteve a liderança na Austrália, Nova Zelândia, China, Coreia do Sul e Singapura. O resultado australiano fechou com 6.017 votos para o petista e 3.465 para Flávio Bolsonaro.
Na Nova Zelândia, Lula somou 418 votos contra 101 de Flávio. A preferência se manteve na China, onde o placar registrou 502 a 267 para o candidato do PT, na Coreia do Sul, com 148 a 82, e em Singapura, com 213 votos favoráveis a Lula contra 121 para Flávio.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro conquistou ampla vantagem no Japão, território que abriga a maior comunidade de votantes entre os locais já apurados. Nas seções japonesas, o candidato marcou 47.306 votos, diante de 11.201 destinados a Lula. O senador também venceu por margens estreitas na Malásia, por 44 a 41, e nas Filipinas, por 39 a 27.
O processo de votação segue os mesmos critérios de segurança adotados em território nacional. Para assegurar a validade do voto nas seções do exterior, os mesários orientam os eleitores sobre o funcionamento do equipamento e esclarecem que a urna eletrônica registra o voto apenas após apertar a tecla confirma, sem qualquer cancelamento automático de escolha.
Apesar da mobilização registrada em alguns postos consulares, a barreira do comparecimento segue alta. No primeiro turno, a taxa de abstenção fora do país superou os 60%, motivada por custos de viagem, longas distâncias entre cidades de residência e sedes consulares, além da ausência de justificativa presencial simplificada para quem mora distante dos locais de votação.
Na primeira etapa do pleito, Lula registrou 157.387 votos no exterior, o que representou 47,57% dos votos válidos fora do país. Flávio Bolsonaro alcançou 143.900 votos, alcançando 43,49% do total apurado na ocasião.
Enquanto as urnas encerram os trabalhos nos diferentes fusos horários, a Justiça Eleitoral reforça que a legislação eleitoral se aplica às imediações dos consulados, onde a fiscalização atua contra a boca de urna e orienta sobre as regras de denúncia para evitar pressões e propagandas irregulares sobre quem comparece para votar.



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