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Cerca de 8 mil corpos seguem sob escombros na Faixa de Gaza

Sem escavadeiras nem combustível, socorristas estimam que a retirada total de pessoas soterradas no enclave pode durar até oito anos.

Foto: Reprodução.

Faixa de Gaza – Pelo menos 8 mil corpos permanecem sob escombros na Faixa de Gaza após ataques aéreos e ofensivas terrestres de Israel. A Defesa Civil do território palestino afirma que não tem pás mecânicas, escavadeiras nem caminhões para remover o concreto e retirar as vítimas.

O porta-voz do órgão, Mahmud Basal, afirmou que o número total de pessoas sepultadas sob as ruínas pode superar a estimativa inicial divulgada pelas autoridades.

“Quase 8.000 corpos estão desaparecidos sob os escombros de edifícios destruídos.”

O socorro opera sem combustível, sem guindastes e sem ferramentas para quebrar lajes caídas. Basal detalhou os entraves estruturais enfrentados pelos socorristas em campo.

“A magnitude da destruição e a falta de equipamentos e maquinário pesado dificultam os labores de busca e recuperação dos corpos.”

Se as fronteiras fossem abertas hoje para a chegada de veículos pesados e peças sobressalentes, o trabalho ainda exigiria quase uma década de escavações contínuas no território.

“Mesmo se os recursos necessários estivessem disponíveis, as equipes poderiam precisar de cerca de oito anos para recuperar todos os corpos.”

O tempo transcorrido e as chamas causadas pelas detonações agravaram a situação física dos restos mortais, o que impede as famílias de realizarem o reconhecimento e o sepultamento.

“Alguns restos mortais estiveram expostos a temperaturas muito elevadas, o que dificulta sua identificação precisa.”

Socorristas também continuam sem conseguir entrar em áreas inteiras do enclave por causa dos riscos operacionais no solo e da falta de equipamentos para abrir passagens entre blocos de concreto.

A crise reflete décadas de cerco militar israelense sobre a população palestina. Em 2007, Israel cercou o território por terra, mar e ar, sufocando o transporte de cargas e impedindo o desenvolvimento econômico do enclave.

Sob esse isolamento, Gaza enfrentou bombardeios de grande escala em 2008-2009, 2012 e 2014, com milhares de civis mortos e a destruição sistemática de redes elétricas, estações de água e moradias populares.

A fase atual da guerra começou em 7 de outubro de 2023, logo após a operação Tempestade de Al-Aqsa, realizada por organizações armadas palestinas. A retaliação do Exército israelense arrasou bairros residenciais, fechou hospitais por falta de luz e forçou deslocamentos em massa da população civil.

Durante a campanha militar, faltaram comida, água potável, analgésicos e tendas. O bloqueio mantido por Israel nos postos de fronteira estrangulou a distribuição de donativos enviados por entidades internacionais.

Um cessar-fogo foi assinado em 10 de outubro de 2025, mas as autoridades de Gaza relatam que os ataques armados e os impedimentos para a entrada de insumos prosseguem. Em fevereiro de 2026, a assessoria de imprensa do governo local registrou centenas de novas mortes desde a assinatura do acordo e cobrou a aplicação real das normas da trégua.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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