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PF apura voos de Flávio Bolsonaro pagos por dona de bet

Relatório da PF aponta voos em jatinho e perfil de acesso a conta bancária internacional de investigado por fraudes previdenciárias.

Documentos obtidos na investigação mostram reservas aéreas e registros de contas. Foto: Divulgação.

Brasília, DF – A Polícia Federal investiga o senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo uso de jatinhos executivos bancados por empresas de Willer Tomaz. O advogado é alvo da Operação Sem Desconto, que apura desvios de recursos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Documentos apreendidos mostram que a Cathedral Holdings, offshore sediada na Ilha da Madeira e dona da casa de apostas Rede Loto, pagou três voos para Flávio e Tomaz entre Portugal e França em abril e maio de 2025.

Em 11 de abril de 2025, a empresa de táxi aéreo NetJets operou o trajeto Lisboa–Nice. Semanas depois, em 23 de maio, o senador e o advogado decolaram do aeródromo de Cascais rumo a Nice com familiares, seguindo depois para Paris.

Arquivos obtidos no iCloud de Tomaz revelaram ainda que o parlamentar constava como “usuário master” em uma conta do banco Santander aberta em nome de outra offshore do advogado, a Alcazar Holdings. Esse nível de acesso permite movimentações e transferências financeiras diretas.

A polícia apura se Flávio exercia participação societária oculta na firma. A Alcazar detinha um terço da Fraction 024 Administração de Bem Próprio, dona do Embraer Legacy 650 usado pelo senador em janeiro de 2025. O restante pertencia à Prime You, ligada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A Cathedral reúne como sócios Tomaz, sua esposa Flávia Corrêa, sua irmã, Jorge Barbosa Dias e Igor Moura. Dias respondeu a processo por jogo ilegal e lavagem de dinheiro em 2022, sendo absolvido no ano seguinte.

A apuração alcança a entrada da Rede Loto no mercado brasileiro. A empresa foi a primeira bet autorizada no país, credenciada pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) em 25 de maio de 2023.

O processo foi assinado por Hazenclever Cançado, então presidente da autarquia e indicado ao cargo por Flávio Bolsonaro. As normas estaduais em vigor não exigiam declarar os beneficiários finais das offshores, mantendo a composição societária sob sigilo.

A defesa de Tomaz afirmou que os custos das viagens saíram do patrimônio pessoal do advogado, não de pessoas jurídicas:

“Passeios de lazer entre amigos e suas famílias, custeados por Willer e sem contrapartida de qualquer natureza.”

A nota assegura que a Cathedral não tem ligação com contraventores. Flávio Bolsonaro declarou manter laços exclusivamente pessoais com o advogado:

“Exclusivamente de amizade. Associar essa afinidade pessoal a suposições de irregularidades é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos.”

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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