Belo Horizonte, MG – Um grupo de 20 agricultores de diferentes municípios do Paraná participa, entre 22 e 24 de setembro, do 15° Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), em Belo Horizonte (MG). A mobilização da comitiva é organizada pela Associação dos Cotonicultores Paranaenses (Acopar) junto ao Sistema FAEP, com foco em buscar soluções técnicas para reerguer a cotonicultura no estado, que viu sua produção despencar nas últimas três décadas.
O encontro nacional reúne especialistas, indústrias, fornecedores e produtores para debater pesquisas de campo e práticas de manejo. O tema central desta edição, organizada pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), é “Algodão brasileiro: fibra natural; uma jornada com propósito, qualidade e transparência”.
Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, a presença dos paranaenses visa garantir contato direto com o que existe de mais moderno no setor. O dirigente defende que as inovações vistas no congresso sejam adaptadas à realidade local para gerar novas alternativas de renda e trabalho no campo.
A realidade atual contrasta com a história agrícola paranaense. Na safra 1991/92, há quase 35 anos, o Paraná liderava a produção nacional de algodão, somando 709 mil hectares plantados — cerca de 36% de toda a área cultivada no país. Contudo, o avanço da praga do bicudo-do-algodoeiro, o crescimento das lavouras de soja e as sucessivas crises econômicas dos anos 1990 provocaram o abandono quase total da cultura. Atualmente, o estado conta com apenas 1,7 mil hectares dedicados à pluma, o que corresponde a 0,2% do território cultivado no auge produtivo.
Entre os que tentam reverter esse quadro está José Cenizo, agricultor de Cambará, no Norte Pioneiro. Ele cultiva algodão há cinco anos em rotação com soja e milho, tendo fechado a última safra com cerca de 40 hectares. Em sua terceira participação no evento, Cenizo explica que a circulação entre produtores de outros polos agrícolas é decisiva: “O Paraná, hoje, não é um dos protagonistas na cotonicultura, então, é muito importante circular e ver o que está sendo feito em outras regiões do país. Quando temos acesso a essas experiências, podemos pensar em como adaptar para o nosso caso”.
O presidente do Sindicato Rural de Cambará, Aristeu Sakamoto, que vem de família de cotonicultores, ressalta que o combate às pragas continua sendo o ponto mais crítico para viabilizar as lavouras. Sakamoto observou os modelos de controle do bicudo adotados na Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, avaliando que as estratégias mais rígidas aplicadas nesses estados podem ser aproveitadas nas propriedades do Paraná.
Para estruturar essa retomada, a Acopar atua diretamente na assistência aos agricultores. O diretor-presidente da entidade, Almir Montecelli, detalha que o acompanhamento técnico começa com uma visita diagnóstica para checar a viabilidade do solo e do clima na propriedade antes da implantação da lavoura. Segundo Montecelli, acompanhar o evento permite dimensionar a força do setor no país e as brechas para expansão paranaense: “O Congresso do Algodão é o maior congresso da área agrícola no país. Acompanha bem o que é o Brasil em termos de cotonicultura, já que é o maior exportador mundial. Então, ao visitar o evento, o agricultor vê a grandiosidade da cultura. Quem vê todo esse movimento, a capacidade de organização, a capacidade política do algodão e o volume de exportação percebe que o Brasil é muito forte. E existe, aí, uma oportunidade a ser aproveitada pelos paranaenses. Há espaço para crescimento”.
O contexto econômico, no entanto, impõe cautela. Na abertura do congresso, o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli, alertou sobre as pressões provocadas por conflitos armados internacionais, disputas comerciais, tensões geopolíticas e variações climáticas severas, fatores que mexem diretamente com os custos e o fluxo de exportações. “Grande parte dessas variáveis não está sob o nosso controle, mas podemos controlar a qualidade das nossas decisões. Este é um momento de gestão. É um momento de olhar com atenção para os custos e avaliar cada investimento, acompanhar o mercado e a demanda, planejar diferentes cenários e tomar decisões com responsabilidade”, afirmou.
Apesar das incertezas no mercado global, os números recentes demonstram a dimensão do cultivo no Brasil. O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, declarou na solenidade de abertura que o país colheu mais de 4 milhões de toneladas de pluma na safra mais recente, marca recorde impulsionada por pesquisas em genética, manejo, defesa vegetal e rastreabilidade. O ministro lembrou ainda que o país assumiu a liderança nas vendas externas, superando a marca de 3 milhões de toneladas de algodão exportadas no último ano.



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