Foz do Iguaçu, PR – O município de Foz do Iguaçu ocupa o 117.º lugar no ranking geral do Índice Ipardes de Desenvolvimento Municipal (IPDM), mas despenca para a 242.ª posição quando o critério avaliado é a saúde pública. O descompasso entre o índice geral e o atendimento à população, somado ao peso dos custos nos cofres da prefeitura, levou o Observatório Social do Brasil em Foz do Iguaçu (OSB-FI) a organizar um debate amplo sobre indicadores, financiamento e gestão da área, no último dia 15, durante o seu Encontro de Voluntários.
O cálculo do IPDM na saúde mede pontos cruciais da atenção direta ao cidadão, incluindo o acompanhamento pré-natal, as mortes registradas por causas mal definidas, a mortalidade infantil por causas evitáveis e os óbitos precoces motivados por doenças crônicas não transmissíveis.
Ao abrir as discussões, o presidente do OSB-FI, Haralan Mucelini, relacionou os números ruins do índice ao desequilíbrio no modelo tripartite — repartição de recursos entre a União, o Estado e o Município —, ressaltando o custo da área sobre o erário e questionando como aperfeiçoar a assistência sem pressionar ainda mais o orçamento municipal. Ele alertou que a condição geográfica de fronteira torna o custeio mais pesado, já que a estrutura local presta assistência a moradores de municípios vizinhos e de países limítrofes, o que exige pensar em regras e instrumentos próprios de compensação financeira para essas cidades.
“Ao discutirmos indicadores, baseados em dados e critérios, não caímos na crítica pela crítica. O debate sobre os desafios do setor, com representantes de quem está na linha de frente do atendimento, mostra que precisamos e podemos construir uma agenda única para a saúde, como sendo uma pauta de toda a cidade, e não somente do gestor do momento”, afirmou Haralan Mucelini.
A sanitarista Larissa Menezes, porta-voz da Secretaria Municipal de Saúde, expôs o tamanho da sobrecarga enfrentada pelo município: com menos de 300 mil moradores, a rede local conta com mais de 450 mil cadastros do Sistema Único de Saúde (SUS) ativos. Ela explicou que quatro unidades básicas de saúde estão em obras e afirmou que a efetivação do Hospital Regional precisa sair do papel.
Pelo governo do estado, a diretora da 9.ª Regional de Saúde, Pabla Viviana Jungblut, apresentou as ações estaduais no município, com a criação de novos leitos e a contratação de serviços da rede hospitalar. Ela apontou também que a escassez de mão de obra médica especializada impede contratações para ampliar as equipes.
O presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores, Adnan El Sayed, relatou que o Legislativo busca medidas práticas para conter a superlotação de leitos hospitalares. Já o presidente do Conselho Municipal de Saúde (Comus), Khalid Omairi, defendeu a participação da comunidade e o controle social como instrumentos indispensáveis para dar qualidade ao SUS, propondo um trabalho conjunto e permanente com o Observatório Social.
Representantes da universidade pública apontaram falhas na pactuação dos serviços. O diretor-geral do campus da Unioeste/Foz, Dr. Sergio Fabriz, argumentou que os índices disponíveis não conseguem traduzir com precisão a realidade do atendimento local frente a outros municípios e afirmou que o modelo de Gestão Plena da Saúde não foi pactuado de forma adequada, deixando o custeio financeiro do hospital concentrado nos cofres da prefeitura.
A coordenadora do curso de Medicina da Unila, Flávia Trench, defendeu que o município deve concentrar sua atuação e recursos na atenção básica, com prioridade na prevenção e na promoção da saúde, enquanto o Estado e a União devem arcar com a média e a alta complexidade. Na mesma linha, a vice-coordenadora do curso de Saúde Coletiva da Unila, Dra. Gladys Velez Benito, sustentou que o enfrentamento das dificuldades exige integração sanitária em toda a região trinacional, frente em que as universidades têm condições de colaborar diretamente.
Além do painel temático, a organização utilizou o Encontro de Voluntários para prestar contas à sociedade, divulgando o segundo relatório quadrimestral de ações, referente ao período de maio a agosto. O levantamento reúne intervenções de fiscalização no transporte coletivo, acompanhamento de obras de pavimentação asfáltica e a checagem de uma denúncia de nepotismo em contratação do poder público.
O vice-presidente para Assuntos de Controle Social do OSB-FI, Marco Castella, detalhou o balanço e fez um apelo para a adesão de novos colaboradores: “São muitas frentes em que atuamos e, com mais voluntários, podemos fazer ainda mais. Nosso trabalho é construir uma cidade melhor e mais participativa”. O documento com as ações fiscalizatórias está publicado na íntegra no endereço eletrônico fozdoiguacu.sistemaosb.com.br.



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