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Dino retém passaporte de Frias em ação sobre filme Dark Horse

Operação da PF apura desvio de emendas para obra sobre Bolsonaro; Mario Frias não pode deixar o país nem falar com investigados.

Equipe da Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão da Operação Make Up. Foto: Reprodução/Redes Sociais

Brasília, DF – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou o sigilo do processo que autorizou a operação da Polícia Federal sobre o financiamento do filme Dark Horse e proibiu o deputado federal Mario Frias (PL-SP) de deixar o Brasil. A decisão veio a público nesta quinta-feira (10), logo após agentes federais cumprirem mandados de busca contra o parlamentar e outros suspeitos de desviar dinheiro público para bancar a obra cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ofensiva, batizada pela PF de Operação Make Up, apura o uso irregular de verbas públicas na produção cinematográfica. Mario Frias e a empresária Karina Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, são os principais alvos do inquérito. Ao todo, a Justiça autorizou 49 mandados de busca e apreensão em residências e escritórios ligados a 24 pessoas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Não houve expedição de mandados de prisão.

Ao justificar as medidas cautelares contra Frias, Flávio Dino afirmou que “os elementos colhidos apontam risco concreto de alinhamento de versões, combinação de depoimentos, ocultação ou destruição de provas e interferência na colheita dos elementos probatórios ainda pendentes de arrecadação”. Além da retenção para viagens internacionais, o deputado está expressamente proibido de manter contato com os outros investigados.

Mario Frias chefiou a Secretaria Especial de Cultura durante a gestão Bolsonaro e é citado pela própria equipe do longa-metragem como roteirista da história. A apuração da Polícia Federal aponta que o parlamentar teria direcionado verbas de emendas parlamentares para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma organização não governamental presidida por Karina Gama, a mesma proprietária da produtora Go Up. Os investigadores também apuram se os deputados federais Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS) enviaram recursos de emendas para a mesma finalidade.

A suspeita sobre o caixa de Dark Horse começou em maio, após o site The Intercept revelar gravações de áudio feitas em 2025. Nos registros, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociava com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, o repasse de R$ 134 milhões para o filme. Investigações jornalísticas posteriores mostraram que parcelas dessa verba foram remetidas aos Estados Unidos e caíram na conta do fundo Havengate, gerido pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal cassado em dezembro de 2025.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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