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Previsão da inflação vai a 5% em 2026 e supera teto fixado pelo BC

Com alimentos em queda em julho e PIB previsto em 1,93%, pesquisa do Banco Central projeta dólar a R$ 5,20 e juros fechando o ano em 13,75%.

Sede do Banco Central do Brasil em Brasília, onde o Copom define o rumo dos juros básicos da economia. © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil.

Brasília, DF – O mercado financeiro reduziu a previsão da inflação oficial no Brasil de 5,01% para 5% este ano. O dado integra o Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (8) pelo Banco Central (BC), que consulta semanalmente dezenas de bancos, corretoras e analistas de mercado. Apesar do pequeno alívio, a projeção continua acima do teto da meta perseguida pela autoridade monetária para 2026, mantendo o custo de vida elevado para o trabalhador e o crédito sob pressão.

A meta oficial fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos — o que estabelece o piso em 1,5% e o teto em 4,5%. A estimativa do mercado, portanto, supera o limite superior em 0,5 ponto percentual.

Nos supermercados e feiras, o impacto começou a desacelerar no mês de julho, quando a queda nos preços dos alimentos fez a inflação oficial fechar em 0,07%, marcando o quarto mês seguido de desaceleração, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com essa trégua pontual, o IPCA acumulou alta de 4,44% em 12 meses, voltando momentaneamente para dentro da banda da meta. O IBGE divulga o índice fechado de agosto na próxima sexta-feira (11).

Para os anos seguintes, os analistas preveem uma desaceleração contínua, mas lenta: o mercado ajustou a taxa de 4,28% para 4,29% em 2027, calculando 3,8% em 2028 e 3,5% em 2029.

Juros altos pesam sobre o crédito e consumo das famílias

Para frear o avanço dos preços, o Banco Central mantém a taxa básica de juros, a Selic, em 14% ao ano. Na reunião de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a taxa em 0,25 ponto percentual — a quarta redução consecutiva.

Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu congelada em 15% ao ano, o patamar mais alto registrado em quase duas décadas. Os cortes foram retomados em março com o arrefecimento dos índices de preços, mas o conflito armado no Oriente Médio encareceu o barril de petróleo e os alimentos no mercado internacional, limitando o ritmo de alívio nos juros.

O Copom volta a se reunir nos dias 15 e 16 de setembro para definir o novo patamar da taxa. O boletim indica que os bancos projetam a Selic fechando 2026 em 13,75% ao ano, recuando para 12% em 2027, 10,5% em 2028 e chegando a 10% ao ano apenas em 2029.

Na prática da população e dos pequenos comerciantes, juros elevados encarecem empréstimos, financiamentos imobiliários e compras parceladas no cartão de crédito, ao mesmo tempo em que os bancos embutem margens de lucro, custos operacionais e o risco da inadimplência. Quando o BC decide subir a taxa, o objetivo técnico é desaquecer as compras e incentivar aplicações financeiras; quando reduz, o dinheiro circula mais barato, estimulando as contratações e as vendas no comércio.

PIB avança em ritmo moderado e dólar deve fechar a R$ 5,20

A pesquisa semanal do BC trouxe ainda um ajuste marginal na previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, que passou de 1,92% para 1,93%. Para 2027, a projeção se manteve em 1,5%, seguida por estimativas de expansão de 1,96% em 2028 e 2% em 2029.

No segundo trimestre deste ano, a atividade econômica brasileira registrou alta de 0,5% em relação aos três meses anteriores, acumulando crescimento de 1,9% na comparação dos últimos 12 meses, segundo o IBGE. Em 2025, o PIB fechou o quinto ano seguido de expansão, com ganho de 2,3%, sustentado por todos os setores produtivos, com foco na produção agropecuária.

No mercado de câmbio — indicador que afeta diretamente cidades fronteiriças, custos de importação e o preço final de itens básicos —, as instituições financeiras estimam o dólar cotado a R$ 5,20 no encerramento de 2026 e a R$ 5,30 ao final de 2027.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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