Español Português
AGORA

Brasil chama tarifaço dos EUA de injusto em reunião bilateral

Em conversa com negociador de Donald Trump, governo brasileiro defende revisão de taxas que atingem 3.985 itens da indústria nacional

Primeira rodada de negociações contesta justificativas norte-americanas sobre trabalho forçado e comércio desleal. Foto: PT

Brasília, DF – O governo brasileiro classificou como “injusto e discriminatório” o novo tarifaço dos EUA durante a primeira reunião bilateral realizada para tratar das barreiras impostas pela administração de Donald Trump. A conversa ocorreu por videoconferência nesta segunda-feira (31) e reuniu os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.

Em nota conjunta divulgada pelo Itamaraty, o governo brasileiro afirmou que as sobretaxas desrespeitam diretamente as regras multilaterais do comércio internacional. Os ministros contestaram formalmente as conclusões das investigações conduzidas pelo governo norte-americano no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Segundo as autoridades de Brasília, os relatórios de Washington “não correspondem às efetivas práticas brasileiras” e o país rejeita decisões punitivas tomadas de maneira unilateral.

A ofensiva tarifária determinada por Trump em julho divide-se em duas sanções distintas. A primeira alíquota fixa uma cobrança de 25% sob a alegação de supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil. A segunda taxa aplica um adicional de 12,5% sob a justificativa de supostas falhas das autoridades brasileiras na fiscalização e no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Somadas, as duas frentes de taxação geram um baque direto nas contas do setor produtivo nacional. Dados levantados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que a medida de Washington atinge 3.985 tipos de produtos exportados pelo Brasil. O prejuízo potencial chega a US$ 10,8 bilhões, montante equivalente a cerca de R$ 55 bilhões em vendas externas de mercadorias industriais e agrícolas que geram empregos no país.

Mesmo com a discordância enfática sobre a legalidade das barreiras, os dois ministros disseram que o Brasil prioriza o entendimento diplomático para reverter o quadro. “O lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanas, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países”, informou a nota oficial, completando que o governo “seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional”.

As tratativas entre as duas nações continuam durante as próximas semanas por meio de grupos técnicos. Embora o Itamaraty tenha informado que ainda não há um dia exato fixado para o próximo encontro ministerial, apuração do portal UOL revela que as delegações fecharam uma reunião presencial em Milwaukee, no estado norte-americano de Wisconsin, entre 30 de setembro e 1.º de outubro.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

Receba notícias no WhatsApp do Fronteira LivreReceba notícias no WhatsApp do Fronteira Livre

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *