Washington, EUA – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (26) que descartou formalmente uma proposta apresentada pelo Irã, que previa um cessar-fogo no Oriente Médio e a reabertura do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. O documento com os termos do acordo havia sido entregue aos diplomatas norte-americanos por negociadores do Catar durante as reuniões da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), realizadas em Nova York.
Pela proposta formulada pelas autoridades iranianas, as ações militares e os confrontos diretos na região chegariam ao fim em um prazo fixado de até sete dias, período no qual também seria restabelecida a livre navegação comercial pela rota estratégica. Apesar da articulação internacional, Trump descartou qualquer adesão dos Estados Unidos aos termos elaborados por Teerã.
“Eu rejeito a proposta deles… Rejeitei o acordo deles”, declarou o presidente norte-americano em entrevista a jornalistas na Casa Branca, antes de embarcar para compromissos oficiais no estado do Tennessee. O republicano justificou a decisão, alegando vantagem militar e econômica dos EUA sobre o país persa. “Eles querem fazer um acordo para abrir o Estreito de Ormuz imediatamente porque estão perdendo feio. Nós estamos vencendo de forma tremenda”, afirmou.
Trump acrescentou que o interesse de Teerã em suspender as barreiras navais decorre diretamente da asfixia financeira sofrida pelo país persa. “Eles querem fazer um acordo e acho que está tudo bem; eu também gosto de fazer acordos. O que eles querem fazer é abrir imediatamente o Estreito de Ormuz… porque não têm entrada de dinheiro, já que obtêm seus recursos a partir do Estreito de Ormuz”, argumentou o líder norte-americano.
A rota é o principal canal de escoamento de petróleo do Oriente Médio para o resto do planeta. Atualmente, o trânsito de petroleiros e cargueiros está quase paralisado em decorrência de restrições impostas por Teerã, respondidas por Washington com um bloqueio econômico severo voltado a estrangular as receitas financeiras iranianas. Em sua fala, Trump sustentou que as forças armadas dos Estados Unidos mantêm o controle da via navegável.
A decisão de Trump de barrar as negociações foi revelada inicialmente pelo jornal The Wall Street Journal, com base no relato de autoridades do governo norte-americano sob condição de anonimato. De acordo com a apuração do periódico, o presidente manifestou desconfiança direta sobre a disposição real de Teerã em cumprir exigências de Washington. Ele chegou a indicar a assessores próximos que considera provável autorizar uma nova ofensiva com bombardeios aéreos após a realização das eleições de meio de mandato para o Congresso dos EUA, marcadas para novembro.
A posição pública do presidente contrasta com avaliações anteriores de integrantes da própria administração federal. Antes da manifestação de Trump na Casa Branca, uma autoridade norte-americana havia classificado as conversas indiretas mantidas com o governo iraniano por mediação do Catar como “positivas e construtivas”. Com a rejeição do plano, o fechamento do estreito e o impasse militar continuam sem perspectiva de desfecho imediato.



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