Símbolo do machismo institucional: Senado ganha banheiro feminino após 56 anos

Símbolo do machismo institucional: Senado ganha banheiro feminino após 56 anos

Senado Federal - Foto: Reprodução
Reforma no Plenário encerra símbolo do machismo institucional no Congresso Nacional.. Senado Federal - Foto: Reprodução
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Brasília (DF) – O Congresso Nacional, palco das principais decisões do país, guarda em sua arquitetura as marcas de uma exclusão histórica. Após mais de cinco décadas de funcionamento, o Senado Federal finalmente passa por uma reforma para abrigar um banheiro feminino no Plenário. O prédio, inaugurado em 1960, foi projetado exclusivamente para o uso masculino, refletindo uma época em que a presença de mulheres nos espaços de poder era sequer cogitada.

Até então, as senadoras enfrentavam o constrangimento de precisar se deslocar até a lanchonete da Casa para utilizar o toalete. A mudança ocorre apenas após a união da bancada feminina, que pressionou pela reforma do antigo lavabo masculino do plenário para garantir o direito básico à infraestrutura adequada ao exercício do cargo.

O longo caminho até a ocupação do plenário

A ausência de banheiros para mulheres é um reflexo direto da demora na ocupação desses espaços. A primeira mulher a assumir uma cadeira no Senado foi Eunice Michiles (PDS-AM), apenas em 1979, dezenove anos após a inauguração de Brasília. Michiles chegou ao posto como suplente, após a morte do titular João Bosco de Lima.

Atualmente, o cenário permanece de baixa representação:

  • Cadeiras no Senado: Apenas 12 mulheres ocupam assentos, representando 15% do total de 81 parlamentares.

  • Média histórica: Em 1960, a representação feminina era nula, o que justificou, sob a ótica da época, a ausência de sanitários próprios no projeto original de Oscar Niemeyer.

Brasil na lanterna da representatividade feminina

Apesar de o país ter alcançado a Presidência da República com uma mulher, a representatividade feminina no Legislativo brasileiro é alarmante. Em visita ao Brasil, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, destacou o abismo político nacional.

De acordo com dados das Nações Unidas:

  • Média Global: A representação feminina no poder gira em torno de 22%.

  • Realidade Brasileira: O Brasil figura entre os quatro piores países da América Latina no ranking, com apenas cerca de 10% de representatividade política geral.

  • Contraste Regional: A América Latina possui cinco dos dez países que mais se aproximam da igualdade de gênero nos espaços de poder, mas o Brasil continua distante desse grupo.

“A brasileira tem que ir à urna e votar em mulheres”, declarou Phumzile Mlambo-Ngcuka, reforçando a necessidade de mudança na cultura política nacional.

A obra, que antecipou o encerramento do ano legislativo de 2015, deve ser entregue em fevereiro de 2016, marcando o fim de um símbolo silencioso da opressão institucional no coração da República.

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