Buenos Aires, Argentina – A rejeição a Milei ultrapassou a marca de 70% nos dois principais centros urbanos da Argentina. É o que revela a pesquisa da consultora Equipo Mide divulgada no domingo (30/08). Na Cidade Autônoma de Buenos Aires (CABA), capital do país, a desaprovação à administração do presidente de extrema direita chegou a 72%. Na Província de Buenos Aires, região metropolitana que concentra o maior colégio eleitoral do país, o índice de reprovação bateu 71%.
No plano nacional, 58% da população desaprova a condução do governo. Entre os críticos, a avaliação negativa é contundente: 43% classificam a gestão como “muito ruim” e 15% como “ruim”. O apoio à Casa Rosada soma 38%, distribuído entre 14% que definem o trabalho como “muito bom” e 24% como “bom”. Embora o quadro geral represente uma desaceleração frente ao período entre abril e agosto deste ano, quando a reprovação nacional superou os 60%, a concentração do desgaste na capital e na periferia acende o alarme político.
O levantamento aponta fissuras diretas no grupo que garantiu a vitória do mandatário nas urnas. Um terço (33%) das pessoas que votaram em Javier Milei no pleito de 2023 declara agora que a Argentina caminha na direção errada. Entre os eleitores de Sergio Massa, candidato peronista derrotado no segundo turno, o pessimismo com o rumo do país chega a 97%.
A divisão por renda demonstra que a descrença atinge com mais força os polos da pirâmide econômica. Nas famílias de classe baixa, 69% enxergam o país no caminho incorreto. Na classe alta, o índice alcança 66%. A percepção negativa é relativamente menor na classe média, com 54%.
A sondagem mediu ainda a confiança prática na capacidade executiva de Milei diante da recessão e da inflação. Para 58% dos entrevistados, o chefe de Estado simplesmente não sabe como agir para conter a crise. Já 29% avaliam que o presidente domina as soluções necessárias, mas depende de mais tempo para colher resultados práticos. Apenas 13% compraram o discurso de confronto do Executivo, declarando que o mandatário tenta solucionar as demandas populares, mas sofre o bloqueio do “sistema” político.



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