Brasília, DF – A restrição às apostas esportivas e aos jogos eletrônicos on-line, conhecidos popularmente como bets, alcançou 62% de aprovação popular no Brasil, segundo levantamento nacional do instituto Quaest divulgado nesta segunda-feira (28). O veto e a regulamentação severa do setor de apostas lideram a receptividade da população a um pacote recente de ações do governo federal, que inclui também o reajuste de 15% no Bolsa Família — apoiado por 59% dos entrevistados — e a distribuição gratuita de canetas para tratamento de obesidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com 58% de apoio.
O impacto social dessas pautas coincide com uma recomposição de intenções de voto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a uma semana do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. No cenário geral pesquisado entre os dias 24 e 27 de setembro, Lula soma 39% das preferências para o primeiro turno, contra 34% de Flávio Bolsonaro (PL). A melhora no desempenho do candidato petista ocorreu de forma acentuada justamente nas faixas sociais mais vulneráveis ao endividamento financeiro e dependentes de serviços e benefícios públicos: mulheres, famílias com renda de até dois salários mínimos, beneficiários diretos de programas sociais e eleitores religiosos.
No eleitorado feminino, grupo em que a disputa estava rigorosamente empatada duas semanas antes, o petista abriu vantagem de nove pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro: 46% contra 37%. As mulheres são as que mais apoiam todas as medidas testadas. No recorte de gênero, 64% delas aprovam as travas contra as bets, contra 61% dos homens; 62% defendem o aumento do benefício social (frente a 56% do eleitorado masculino); e 62% apoiam a entrega de medicamentos para controle de peso na rede pública, ante 53% entre os homens.
O combate aos impactos financeiros das apostas eletrônicas ganhou fôlego próprio no debate nacional, ultrapassando os recortes estritamente econômicos. A sondagem revelou que o apoio ao freio nas apostas se mantém elevado inclusive nas classes médias e altas. Do índice geral de 62% favoráveis à medida, 40% já conheciam a intervenção e a respaldavam, enquanto 22% declararam apoio após tomar conhecimento da iniciativa durante a entrevista. A decisão presidencial foi informada na sexta-feira (25), o que fez com que o levantamento captasse o efeito do anúncio ainda de forma preliminar.
Na base da pirâmide distributiva, onde o reajuste do piso do Bolsa Família elevou o repasse médio de R$ 600 para R$ 691, a distância eleitoral entre os dois concorrentes se ampliou. Entre quem recebe o benefício federal de transferência de renda, Lula tem 59% das intenções de voto contra 27% de Flávio. Na faixa populacional com renda de até dois salários mínimos, a diferença chega a 26 pontos: 55% a 29%.
As movimentações alcançaram também o público religioso. No eleitorado católico, a pontuação de Lula no primeiro turno subiu de 43% para 48%, enquanto o adversário oscilou de 27% para 29%. Em uma projeção de segundo turno, a preferência católica por Lula chega a 50% ante 37% de Flávio — o nível mais alto registrado pelo petista desde 14 de agosto. No segmento evangélico, onde o candidato do PL mantém a dianteira, Lula reduziu distâncias: oscilou de 23% para 27%, enquanto Flávio recuou de 49% para 46% no primeiro turno. Na simulação de segundo turno entre os evangélicos, Flávio tem 54% contra 30% de Lula.
Para o diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Felipe Nunes, o avanço eleitoral do presidente nos segmentos populares e femininos “parece estar muito associado” ao conjunto de iniciativas anunciadas na última semana. Trata-se, entretanto, de uma correlação analítica: a pesquisa documenta simultaneamente o crescimento nas intenções de voto e o respaldo massivo às decisões administrativas, mas não isola matematicamente uma relação direta de causa e efeito.
O levantamento presencial ouviu 2.004 eleitores a partir dos 16 anos em diversas regiões do país. A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, conta com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registro oficial junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06520/2026.



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