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Irã avisa na ONU que não se curvará aos ataques dos EUA

Masoud Pezeshkian discursou em Nova York após Trump ameaçar aniquilar o país; líder acusou Washington pela morte de Ali Khamenei.

Masoud Pezeshkian na tribuna da ONU, onde rechaçou intimidações militares e econômicas do governo dos Estados Unidos. Foto: Caitlin OCHS/Reuters

Nova York, EUA – Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que seu país não vai se curvar diante das pressões norte-americanas e acusou diretamente os Estados Unidos de terrorismo pelo assassinato do aiatolá Ali Khamenei, ocorrido no final de fevereiro. A manifestação marca a primeira vez que o chefe de Estado persa fala no plenário das Nações Unidas desde a deflagração da guerra aberta conduzida por Washington e Israel contra o território iraniano.

O pronunciamento rebateu declarações feitas no dia anterior por Donald Trump no mesmo púlpito em Manhattan. Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos declarou que cogita a aniquilação total do Irã, embora tenha mencionado de maneira positiva a retomada recente de conversas bilaterais. Pezeshkian, no entanto, ignorou as reuniões de bastidores que buscam costurar um cessar-fogo e direcionou sua fala diretamente à Casa Branca: “(Donald Trump) deve saber que a resiliência do povo iraniano só aumentará diante das sanções, da crescente pressão e da intimidação cada vez maior. Nunca baixaremos a cabeça ou nos ajoelharemos”.

O presidente iraniano também advertiu sobre a circulação marítima estratégica no Oriente Médio, garantindo que Teerã não aceitará o uso do Estreito de Ormuz para operações militares inimigas. “Não podemos permitir que alguns tenham livre acesso e defendam seus interesses através desta via de navegação, enquanto que, ao mesmo tempo, usam essa via para nos impor sua agressão”, afirmou. A viagem de Pezeshkian esteve ameaçada até a véspera devido ao atraso no visto de entrada, concedido pelo governo norte-americano apenas a ele, enquanto diversos integrantes de sua comitiva tiveram a entrada barrada. Em paralelo, a disparada no preço dos combustíveis decorrente do conflito internacional passou a pressionar a base eleitoral de Trump, colocando em risco a maioria republicana no Congresso nas eleições de meio de mandato marcadas para novembro.

A tribuna da ONU também serviu de palco para ataques viscerais contra o sistema multilateral. O presidente da Argentina, Javier Milei, subiu ao plenário nesta quarta-feira e chamou a entidade de inútil, afirmando que a organização serve para manter “uma casta de parasitas fatalmente arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados”. Milei afirmou que as Nações Unidas fracassaram na garantia dos direitos humanos e da segurança coletiva, cobrou uma posição do órgão sobre a disputa territorial das Ilhas Malvinas com o Reino Unido, chamou a gestão da pandemia de 2020 de genocídio e rechaçou qualquer regulação governamental sobre a inteligência artificial.

O debate sobre a regulamentação tecnológica, aliás, domina a pauta da tarde no Conselho de Segurança da ONU. Foram convocados para prestar esclarecimentos às delegações diplomáticas Sam Altman, da OpenAI, Dario Amodei, da Anthropic, e Clément Delangue, da plataforma Hugging Face. Enquanto França, nações europeias e Canadá pressionam pela criação de regras de controle para mitigar riscos à segurança global, Estados Unidos e China atuam em conjunto contra restrições ao desenvolvimento do setor.

A agenda diplomática do dia inclui ainda os desdobramentos da invasão da Ucrânia. O presidente Volodimir Zelensky tem discurso marcado no Conselho de Segurança e, após encontro privado com Trump, declarou que pretende encerrar a guerra contra a Rússia em poucos meses, propondo suspender ataques a estruturas energéticas russas caso Moscou adote a mesma medida.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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