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Ator Gracindo Jr. morre no Rio de Janeiro aos 83 anos

Pioneiro da televisão brasileira, artista atuou em dezenas de novelas e filmes e dirigiu produções históricas ao longo de 50 anos

O ator e diretor Gracindo Jr. reuniu mais de 50 anos de carreira nos palcos, telas e estúdios do país. Foto: Divulgação.

Rio de Janeiro, RJ – Morreu na noite de terça-feira (2), em sua residência, o ator e diretor Gracindo Jr., aos 83 anos, de causas naturais. O falecimento foi confirmado pelo filho do artista, Pedro Gracindo. Com mais de cinco décadas de trajetória ininterrupta na cultura brasileira, o profissional deixa um legado construído no rádio, teatro, cinema e na televisão, onde atuou como pioneiro na fundação da TV Globo.

Filho do ator Paulo Gracindo (1911–1995), Epaminondas Xavier Gracindo nasceu na capital fluminense em 21 de maio de 1943. Ele chegou a cursar Psicologia na juventude, mas nunca exerceu a profissão e escolheu seguir o caminho artístico da família. Aos 15 anos, prestou teste na Rádio Nacional, na qual o pai já despontava como galã de radionovelas e comunicador de auditório. Aprovado, trabalhou como ator, redator e disc-jóquei na rádio. A estreia nos palcos de teatro aconteceu em 1961, com a montagem da peça A Escada, de Oswald de Andrade.

Gracindo Jr. assinou contrato com a TV Globo em dezembro de 1964, meses antes da fundação oficial da emissora em abril de 1965. Integrou o primeiro elenco do canal e participou dos primórdios da teledramaturgia em títulos como Rosinha do Sobrado (1965), Padre Tião (1966), A Rainha Louca (1967) e A Próxima Atração (1970). Em 1973, esteve ao lado do pai em Os Ossos do Barão e em O Bem-Amado, clássico de Dias Gomes.

Três anos depois, em 1976, pai e filho protagonizaram um dos momentos mais lembrados da televisão ao dividirem o papel de João Maciel em diferentes fases da vida na novela O Casarão, de Lauro César Muniz — marco que consagrou o filho nacionalmente. Sobre a relação profissional e a herança familiar, Gracindo Jr. afirmou: “O que eu mais aprendi com o meu pai foi responsabilidade no meu trabalho, estima pelo meu trabalho, saber que meu trabalho é uma coisa muito importante. Meu pai trabalhou por 65 anos, e nunca me lembro dele não tendo feito sucesso, em qualquer área de comunicação. Foi um homem que passou em rádio, em circo, em televisão, em cinema, em tudo ele foi sucesso. A lembrança que eu tenho dele é dessa pessoa delicada, dessa pessoa amiga, solidária e que seu maior amor era o seu trabalho. Se o trabalho dele estivesse bem-feito, ele estava feliz na vida”.

Após o término da trama, passou uma temporada profissional em Portugal e, ao retornar em 1978, assumiu a supervisão do núcleo de novelas das 18h da Globo. A atuação na área técnica começou na produção de A Sucessora, de Manoel Carlos, na qual cuidou da montagem, edição, sonorização e preparação de atores. Em 1979, passou a assinar a direção-geral de novelas como Memórias de Amor e Marron-Glacé. Em 1983, comandou a direção do humorístico Os Trapalhões e apresentou os primeiros clipes musicais criados para o Fantástico.

Na década de 1980, esteve na TV Manchete em produções como A Marquesa e Dona Beija. De volta à Globo, dirigiu episódios do Sítio do Picapau Amarelo, participou da minissérie Tenda dos Milagres e interpretou vilões e personagens centrais da teledramaturgia, como Creonte em Mandala (1987) e Ricardo Ribeiro em O Salvador da Pátria (1989), contracenando com Maitê Proença e Lima Duarte. Trabalhou ainda em Rainha da Sucata, Araponga, Deus nos Acuda, Explode Coração (onde também dirigiu), Esplendor e Celebridade. A partir de 2006, atuou na TV Record em tramas como Cidadão Brasileiro, Poder Paralelo e na minissérie Rei Davi (2012).

No teatro, somou mais de 20 produções como ator, diretor e produtor, incluindo o texto Paulo Gracindo, Meu Pai (1980), escrito por ele para homenagear o cinquentenário de carreira do patriarca. No cinema, participou de mais de uma dezena de longas-metragens, entre eles Os Trapalhões na Serra Pelada (1982), A Floresta das Esmeraldas (1985), Bufo & Spallanzani (2001), Primo Basílio (2006) e Segurança Nacional (2010).

Em manifestação oficial, o Ministério da Cultura lamentou a perda e recordou a dedicação de meio século do artista às artes cênicas, estendendo solidariedade aos familiares: “O MinC se solidariza com os cinco filhos, sete netos e a esposa, Daisy Poli, com quem estava há mais de cinco décadas”. O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, declarou em nota que Gracindo Jr. foi “um dos nomes fundamentais na construção da história da dramaturgia brasileira”, destacando o compromisso com o setor cultural e manifestando solidariedade aos amigos e parentes. O agente artístico Marcus Montenegro publicou mensagem de despedida: “Sua luz e seu talento deixaram uma marca inesquecível em todos nós. Descanse em paz”.

Gracindo Jr. deixa a esposa, Daisy Poli, cinco filhos e sete netos.

SERVIÇO

  • Velório: Quinta-feira (3), a partir das 12h10, na Capela 6 do Cemitério da Penitência (aberto ao público).
  • Cremação: Quinta-feira (3), às 14h10, no Cemitério da Penitência.
  • Local: Rua Monsenhor Manuel Gomes, 307 – Caju, Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ).

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

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