Brasília, DF – O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atingiu a meta de realizar atendimentos sem fila no país, segundo informações divulgadas pelo Governo Federal na última quinta-feira (3). Vinculado ao Ministério da Previdência Social, o órgão passou a finalizar mensalmente um volume de processos superior ao número de novos pedidos recebidos.
Em julho de 2026, o INSS registrou 1,435 milhão de novos pedidos de aposentadorias e benefícios assistenciais, o maior volume da série apresentada. No mesmo mês, foram entregues 1,658 milhão de respostas, superando a demanda registrada no período.
O estoque de processos em análise, que chegou a 3,1 milhões em fevereiro, caiu para 1,25 milhão. O volume atual está abaixo da quantidade média de novos pedidos que ingressam mensalmente no instituto e dentro da capacidade de análise do órgão.
Em menos de seis meses, o INSS também reduziu o tempo médio de atendimento de 59 dias, em fevereiro, para 34 dias em agosto. O prazo legal para atendimento das solicitações é de 45 dias.
O que significa atendimento sem fila
O conceito de “atendimento sem fila” indica que o estoque de processos do INSS está dentro da capacidade mensal de resposta do órgão. Com isso, o cidadão pode ter o pedido analisado dentro do prazo legal.
O marco considera a fila de Reconhecimento Inicial de Direito (RID), etapa em que o INSS realiza a primeira análise da documentação necessária para a concessão do benefício.
O ritmo de concessões também vem crescendo nos últimos anos. A média mensal passou de 501 mil concessões em 2023 para 641 mil em 2025. Entre janeiro e julho de 2026, a média mensal chegou a 730 mil concessões, aumento de 46% em relação a janeiro de 2023.
Gestão e tecnologia
Para absorver o crescimento dos pedidos iniciais, o Ministério da Previdência Social implementou medidas de gestão estruturadas em cinco eixos. A demanda aumentou 40% desde 2023, passando de uma média mensal de 897 mil pedidos naquele ano para 1,3 milhão em 2026.
Entre as medidas adotadas estão:
Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB): prevê o pagamento de bônus para servidores públicos que concluam tarefas além de suas metas. Em julho, 4.311 servidores, cerca de 25% do quadro considerado no programa, participaram do PGB. A iniciativa gerou 2 milhões de atendimentos em 2026.
Atestmed: sistema de análise documental digital criado para acelerar a concessão de benefícios relacionados à incapacidade temporária, sem a necessidade de perícia presencial nos casos elegíveis.
Ampliação dos quadros da Previdência Social: foram nomeados mais de 2,5 mil servidores públicos, entre eles 500 peritos médicos federais e 230 assistentes sociais.
Perícia Conectada: permite a realização de perícias médicas com suporte técnico e infraestrutura de telemedicina em locais onde não há presença física de médicos peritos. Atualmente, 865 agências atendem nessa modalidade.
Ações de mutirão: os atendimentos realizados em regime de mutirão passaram de 31 mil em 2023 para 218 mil em 2025. Nos primeiros oito meses de 2026, foram realizados 300 mil atendimentos extras, representando crescimento de 868% desde 2023.
Capacidade de 1,3 milhão de pedidos por mês
O INSS adotou um modelo de decisão orientado por dados, com acompanhamento diário do fluxo de processos. A estratégia estruturou o órgão para absorver continuamente cerca de 1,3 milhão de pedidos por mês sem voltar a acumular passivo.
Como reflexo desse processo, as reclamações registradas na Ouvidoria do INSS caíram 82% entre janeiro e agosto de 2026.
O instituto também mantém um controle permanente de qualidade sobre as análises. Segundo as informações divulgadas, a metodologia foi reconhecida e validada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) como prática voltada a evitar erros em concessões ou indeferimentos.
Proteção social
Os dados apresentados durante o evento também destacaram a abrangência do sistema de proteção social brasileiro. A cobertura da Previdência Social alcança 82% da população idosa do país, considerando pessoas com 60 anos ou mais. Na área rural, o percentual chega a 90,3%. O pagamento de benefícios representa R$ 1,149 trilhão por ano na economia.



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