Libertárias e a luta das mulheres que desafiaram Franco, a Igreja e o patriarcado

Libertárias e a luta das mulheres que desafiaram Franco, a Igreja e o patriarcado

Disponível na TV Fronteira Livre, a obra recupera a história de mulheres que lutaram simultaneamente contra o fascismo, o capitalismo e o patriarcado.

WhatsApp
Telegram
Facebook
Email
LinkedIn

Barcelona, Espanha – Disponível na TV Fronteira Livre, Libertárias (1996), de Vicente Aranda, retorna à Guerra Civil Espanhola por um caminho menos habitual. Em vez de concentrar a narrativa nos generais, nas frentes militares e nas grandes decisões de Estado, o filme mira as mulheres anarquistas que participaram do conflito e tentaram inscrever sua própria revolução dentro da revolução maior aberta em 1936.

A obra acompanha Maria, uma jovem freira que abandona o convento nos primeiros dias da guerra e passa a conviver com um grupo de milicianas libertárias. A escolha dessa personagem como fio condutor permite que o filme apresente, ao mesmo tempo, o colapso da velha ordem e a irrupção de uma experiência política que colocava em questão não apenas o avanço do franquismo, mas também a autoridade religiosa, a submissão feminina e a divisão tradicional dos papéis sociais.

Esse é o centro político de Libertárias. O filme não trata essas mulheres como figuras decorativas nem como exceções exóticas dentro de um conflito masculino. Elas aparecem como combatentes, organizadoras e sujeitos de uma disputa histórica concreta. Lutam contra o fascismo, mas também contra a ideia de que a transformação social poderia ser feita sem alterar a posição das mulheres dentro da própria vida cotidiana.

Ao trazer para o primeiro plano a experiência das Mujeres Libres, organização ligada ao anarquismo espanhol, Aranda desloca a Guerra Civil de um campo puramente militar para um terreno mais fundo: o da relação entre emancipação social e desigualdade de gênero. O filme expõe uma contradição que atravessou boa parte das experiências revolucionárias do século XX. Movimentos que falavam em liberdade e igualdade nem sempre estavam dispostos a reconhecer, na prática, o protagonismo político das mulheres.

É isso que preserva a força de Libertárias quase três décadas depois de seu lançamento. O longa não funciona apenas como reconstituição histórica. Ele também recoloca uma pergunta que continua atual em tempos de avanço autoritário e de reabertura de disputas sobre direitos e memória: que tipo de revolução é possível quando metade da sociedade continua empurrada para a margem?

Mais do que recuperar um episódio pouco lembrado da história europeia, o filme devolve visibilidade a mulheres que foram empurradas para fora dos relatos oficiais. E faz isso sem transformá-las em símbolo vazio. Elas aparecem como parte viva de uma experiência política que tentou mudar, ao mesmo tempo, o poder, o trabalho e a própria estrutura das relações sociais.


Deixe um comentário

Notícias relacionadas

Siga-nos

Últimas Notícias

Rolê na Fronteira

Turismo

Câmbio

Dólar (USD) Carregando...
Peso Argentino Carregando...
Guarani (PYG) Carregando...
Atualização --

Inscreva-se em nossa NEWSLETTER