Foz do Iguaçu (PR) — A poucos dias das eleições presidenciais colombianas, marcadas para 31 de maio, o país vive uma escalada de tensão política marcada por denúncias de desinformação em massa, manipulação digital e ataques coordenados contra a candidatura progressista de Iván Cepeda, nome do Pacto Histórico apoiado pelo presidente Gustavo Petro.
O cenário fez crescer na Colômbia comparações com o modelo de atuação do chamado “gabinete do ódio” que operou durante o governo de Jair Bolsonaro no Brasil. A estrutura bolsonarista ficou conhecida pelo uso político das redes sociais, disparos em massa, ataques contra instituições democráticas e campanhas de fake news voltadas à destruição de adversários políticos.
Na Colômbia, a principal polêmica surgiu após a circulação de um áudio falso em que um homem, fingindo ser integrante dissidente das FARC, ameaçava agricultores para que votassem em Cepeda. O material rapidamente viralizou em aplicativos como WhatsApp, Telegram e Signal, ampliando a radicalização política às vésperas da votação.
Posteriormente, investigações da Polícia Nacional e do Ministério da Defesa colombianos descartaram qualquer ligação do áudio com grupos armados ilegais. Segundo as autoridades, a gravação teria sido produzida dentro de um presídio na região de Tolima por um criminoso comum envolvido com extorsão telefônica.
Mesmo assim, o episódio aprofundou o ambiente de instabilidade política no país.
O presidente Gustavo Petro denunciou publicamente a existência de uma ofensiva internacional de desinformação voltada a enfraquecer governos e candidaturas progressistas na América Latina. Segundo Petro, a operação teria relação com o chamado “Hondurasgate”, expressão usada por setores da esquerda latino-americana para descrever uma articulação internacional de guerra digital contra governos progressistas.
Investigações jornalísticas internacionais apontam que mais de 300 áudios e mensagens obtidos em aplicativos de comunicação mencionariam a existência de uma estrutura sediada nos Estados Unidos voltada à produção de conteúdos digitais contra lideranças de esquerda no continente.
Entre os nomes citados nas denúncias aparece o presidente argentino Javier Milei. Parte dos documentos aponta que setores ligados ao governo argentino teriam contribuído financeiramente para operações digitais voltadas a influenciar disputas políticas latino-americanas. As denúncias ainda são alvo de apuração internacional.
O clima político colombiano também passou a reproduzir elementos semelhantes aos vistos nas eleições brasileiras de 2018 e 2022: crescimento do discurso extremista, uso intensivo de redes sociais para produção de medo social, ataques contra a imprensa, universidades e movimentos populares, além da disseminação constante de conteúdos falsos associando candidatos progressistas ao comunismo, ao narcotráfico ou à destruição moral da sociedade.
Na avaliação de analistas políticos colombianos, a disputa eleitoral de 2026 se transformou em um dos principais campos de batalha da nova guerra digital latino-americana.
Iván Cepeda aparece entre os candidatos mais competitivos da eleição e tenta consolidar a continuidade do projeto político iniciado por Gustavo Petro. Já setores da extrema direita colombiana apostam em discursos ultraconservadores, nacionalistas e religiosos, aproximando-se politicamente de lideranças como Jair Bolsonaro, Javier Milei e Donald Trump.
O governo colombiano anunciou a mobilização de mais de 246 mil integrantes das forças de segurança para garantir a realização das eleições presidenciais. Ao todo, mais de 40 milhões de colombianos estão aptos a votar dentro do país, além de cerca de 1,4 milhão no exterior.
A eleição colombiana ocorre em um momento delicado para a América Latina, onde redes digitais passaram a ocupar papel central nas disputas políticas e ideológicas do continente.
Para setores progressistas, o avanço dessas estruturas digitais representa uma nova forma de intervenção política internacional — menos visível que os antigos golpes militares do século XX, mas igualmente poderosa na capacidade de manipular eleições, destruir reputações e produzir instabilidade democrática.
Na tríplice fronteira, onde idiomas, culturas e nacionalidades se cruzam diariamente, a eleição colombiana deste domingo também será vivida longe de Bogotá. Em Foz do Iguaçu, centenas de colombianos devem participar da votação em meio a um cenário de forte tensão política na América Latina. A UNILA, universidade criada para aproximar os povos latino-americanos, será novamente espaço de participação democrática e encontro da comunidade colombiana residente na região.
Serviço — Eleição presidencial da Colômbia no Brasil
📍 Foz do Iguaçu (PR)
📌 Campus Integração UNILA — Av. Tancredo Neves, 3147 — Bloco 2 — Salas A120 e A121
📅 Domingo, 31 de maio
🕘 Das 8h às 16h
Mais informações sobre locais de votação no Brasil
Os colombianos residentes no Brasil também podem obter orientações diretamente com o Consulado Geral da Colômbia em São Paulo, responsável pela coordenação eleitoral no país.
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