Toledo (PR) – O debate sobre cannabis medicinal ganhou novos capítulos no Paraná durante o 5º Fórum Paranaense de Cannabis, realizado nos dias 11 e 12 de junho na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Reunindo pesquisadores, profissionais da saúde, pacientes, familiares, representantes de movimentos sociais e autoridades públicas, o encontro transformou a universidade em um espaço de diálogo sobre ciência, saúde e acesso a tratamentos.
Mais do que discutir legislação ou políticas públicas, o fórum trouxe para o centro da conversa histórias de pessoas que convivem diariamente com doenças crônicas, dores persistentes e condições neurológicas que afetam a qualidade de vida.
Ao longo de dois dias, cerca de 300 participantes acompanharam debates sobre pesquisas científicas, usos terapêuticos da cannabis e os desafios enfrentados por quem depende de medicamentos derivados da planta.
Segundo dados apresentados durante o evento, mais de 500 pesquisadores vinculados às universidades estaduais do Paraná desenvolvem estudos relacionados à cannabis em diferentes áreas do conhecimento, consolidando o estado como um dos polos brasileiros de pesquisa sobre o tema.
Ciência, saúde e qualidade de vida
Entre os relatos apresentados durante o fórum esteve o de Osmar Carlos Correia, morador de Toledo. Diagnosticado com depressão, ansiedade, síndrome do pânico, insônia e dores crônicas, ele contou que passou anos submetido a tratamentos convencionais sem alcançar os resultados esperados.
A mudança, segundo ele, ocorreu após iniciar acompanhamento especializado e utilizar medicamentos à base de canabidiol.
“Eu tomava dez tipos de remédio. Hoje tomo duas gotas de manhã e duas à tarde. Não tomo mais medicamento. O canabidiol mudou a minha vida”, relatou.
Especialistas presentes no encontro destacaram que o uso terapêutico da cannabis deve ocorrer com orientação médica e acompanhamento adequado, respeitando as necessidades individuais de cada paciente.
Relatos semelhantes têm contribuído para ampliar o debate público sobre tratamentos que ainda enfrentam resistência em parte da sociedade, apesar do avanço das pesquisas científicas nos últimos anos.
Universidade e produção de conhecimento
A realização do fórum dentro da Unioeste reforçou o papel das universidades públicas na produção científica e na discussão de temas que impactam diretamente a vida da população.
Representando a direção do campus de Toledo, a professora Ana Nisiide destacou que eventos como esse fortalecem a ciência, a inovação e a construção de políticas públicas baseadas em evidências.
“O conhecimento, a pesquisa e o diálogo são ferramentas essenciais para promover decisões efetivas e contribuir para o avanço da ciência em benefício da população”, afirmou.
A professora Isabel Formoso, integrante da organização local do evento, também ressaltou a importância das universidades no enfrentamento de preconceitos históricos que dificultaram durante décadas o desenvolvimento de pesquisas sobre cannabis medicinal.
Debate avança no Paraná
Durante participação na Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado estadual Goura (PDT), um dos idealizadores do fórum, defendeu a ampliação das pesquisas e o fortalecimento das políticas públicas relacionadas ao acesso aos medicamentos derivados da cannabis.
O parlamentar lembrou a aprovação da chamada Lei Pétala, que garante acesso a medicamentos à base de cannabis para pacientes com Síndrome de Dravet, Síndrome de Lennox-Gastaut e Esclerose Tuberosa no estado.
Para Goura, o debate precisa superar visões baseadas em estigmas e concentrar-se nas necessidades dos pacientes.
“Estamos falando de uma luta por cidadania, saúde, dignidade e qualidade de vida”, afirmou.
Ao final do encontro, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) confirmou que sediará a sexta edição do Fórum Paranaense de Cannabis, em Curitiba.
Com 467 inscritos e quase mil visualizações na transmissão online, o evento mostrou que a discussão sobre cannabis medicinal deixou de ocupar espaços restritos e passou a integrar de forma crescente o debate sobre saúde pública, pesquisa científica e acesso a tratamentos no Paraná.



















