Roma, Itália – Em entrevista a bordo do avião papal a caminho de Roma, o Papa Leão XIV declarou que as concepções defendidas pela extrema-direita sobre os ensinamentos cristãos e o papel da fé não constituem uma “expressão autêntica do cristianismo”. As declarações foram dadas a um jornalista da agência alemã Katholische Nachrichten-Agentur (KNA), o maior veículo católico de notícias da Europa.
Durante a conversa, o pontífice chamou atenção para a radicalização e a disputa interna dentro desses grupos. “Seria interessante estudar e analisar se e como pode haver uma relação, por exemplo, entre o crescimento desses grupos de extrema-direita e o fato de a extrema-direita estar se fragmentando agora, como se vê, com um grupo específico se tornando ainda mais extremista”, afirmou.
O papa ressaltou que a posição contra o extremismo não se limita à sua própria leitura, mas reflete uma frente comum com a cúpula religiosa na Alemanha. “Ao mesmo tempo, há uma certa expressão de uma combinação desses pontos de vista de extrema-direita, sobre a qual não só na minha opinião, mas também na opinião dos líderes da Igreja Católica e da Igreja Protestante na Alemanha, que não é uma expressão autêntica do cristianismo”, disse.
Questionado sobre a crise e a evasão de fiéis na Alemanha, Leão XIV rebateu a tese de que a Igreja estaria em declínio irreversível, embora tenha reconhecido a gravidade da situação em toda a sociedade alemã. “Se encontrarmos o verdadeiro espírito missionário e a maneira correta de praticá-lo, ainda há muitas, muitas pessoas na Alemanha que querem viver e celebrar sua fé cristã e católica”, declarou. O pontífice completou: “Estou otimista quanto a isso, embora reconheça os problemas, reconheça as diferentes causas que atingiram a Igreja, mas também atingiram, por assim dizer, a Igreja evangélica ou protestante muito duramente, e atingiram a sociedade de maneira muito semelhante, mas espero poder ajudar”.
Diante do avanço do ódio e da desagregação social, Leão XIV cobrou envolvimento direto da população nas disputas públicas e nas urnas para barrar saídas autoritárias. “Espero sinceramente, e espero que a Igreja também possa fazer parte disso, que possamos encontrar maneiras de alcançar uma maioria de pessoas de boa vontade que entendam a importância de seu compromisso, mesmo em termos de participação em processos políticos, para que possam fazer escolhas claras para o bem comum e não para ideias extremistas que talvez causem muito mais danos do que imaginamos agora”, afirmou.
Por fim, o papa definiu a tarefa da Igreja frente ao avanço do extremismo: “É nossa parte, como Igreja, como doutrina social da Igreja, falar, ensinar e pregar sobre aquilo que acreditamos serem valores que dão vida, e não destruição, divisão e ódio”, concluiu.



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