Teerã, Irã – Caso o diálogo diplomático com os Estados Unidos não avance, o governo iraniano vai intensificar ações militares e adotar uma postura ofensiva no Estreito de Ormuz e em todo o Oriente Médio. A declaração foi feita nesta segunda-feira (17) por um alto funcionário do governo de Teerã à agência Reuters, confirmando uma guinada estratégica da atuação defensiva para operações de ataque direto na região.
O posicionamento ocorre logo após o presidente norte-americano, Donald Trump, declarar em entrevista à emissora Fox News que Omã será alvo de “bombardeios pesados” se “entrar no caminho” das diretrizes de Washington. A ameaça de Trump mirou conversas paralelas conduzidas entre Omã e o Irã voltadas à gestão da navegação marítima no estreito.
Apesar da pressão de Washington, autoridades iranianas anunciaram a formalização de um acordo com Omã para regular a circulação de navios na área. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, explicou que os dois países definiram o mapa das rotas marítimas e trabalham na redação final de um documento conjunto. O arranjo prevê a reabertura do corredor: as embarcações entrarão por uma rota próxima à costa iraniana e sairão por águas territoriais de Omã, sem cobrança de taxas ou pedágios durante o período de transição.
Paralelamente à via diplomática, relatórios de serviços de inteligência apontam que Teerã aproveitou a trégua recente com os Estados Unidos para estruturar uma nova fase de confrontos armados. Conforme apuração do jornal Wall Street Journal, o plano das lideranças iranianas busca elevar o custo financeiro e militar para Washington e seus parceiros locais. O governo iraniano concluiu que os norte-americanos utilizaram a pausa apenas para ganhar tempo antes de uma ofensiva. Com isso, ao longo dos últimos 60 dias, o Irã ampliou a fabricação de mísseis e drones, além de nomear integrantes da ala linha-dura para postos de comando.
Analistas locais confirmam o clima de prontidão. Mohammad Hassan Sangtarash, especialista em defesa baseado em Teerã, declarou que predomina entre as forças armadas a avaliação de que o confronto de grande escala ainda não começou de fato.
O governo iraniano também acusou os Estados Unidos de romper o memorando de entendimento assinado em junho. Segundo o porta-voz Esmail Baghaei, o texto fixava 60 dias exclusivamente para negociações sobre a suspensão de sanções econômicas e debates do programa nuclear, sem estipular prazos para outras concessões. Baghaei explicou que a Casa Branca cometeu violações generalizadas logo nas primeiras semanas após a assinatura, o que impediu o início formal dos debates e tornou os prazos previstos sem efeito prático.
Sobre as articulações políticas, a chancelaria iraniana rejeitou a entrada de novos intermediários após notícias de que a liderança do Curdistão iraquiano teria procurado a Guarda Revolucionária (Pasdaran) para abrir contato com Donald Trump. Baghaei afirmou que o impasse não decorre da falta de interlocutores — lembrando que Catar, Paquistão e nações europeias já atuam no diálogo —, mas dos métodos e erros de cálculo reiterados pelo governo dos Estados Unidos.



















