Cascavel, PR – Mais de 1,6 mil agricultoras e pecuaristas de várias regiões do Paraná se reuniram nesta quinta-feira (27), em Cascavel, durante o 14º Encontro Estadual de Produtoras Rurais. O evento colocou em debate o papel das mulheres no comando das propriedades e a sucessão familiar no campo, reunindo trabalhadoras rurais, lideranças sindicais e autoridades estaduais no Oeste paranaense.
No Paraná, mais de 40 mil fazendas têm mulheres na liderança direta das atividades, segundo os dados mais recentes do Censo Agropecuário do IBGE. Apenas na região Oeste, são 5,2 mil estabelecimentos rurais com presença feminina ativa na gestão diária e na produção.
Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o futuro e a continuidade das propriedades dependem diretamente da atuação feminina. Meneguette explicou que a transição de comando entre gerações é um dos pontos centrais desse trabalho, lembrando que a entidade mantém desde 2016 o programa Herdeiros do Campo.
“Se pensarmos em sucessão, legado e crescimento, tudo isso passa pelo trabalho das mulheres. Desde 2021, com a criação da Comissão Estadual de Mulheres da FAEP, há um trabalho específico para fortalecer essa atuação. Os resultados estão aparecendo, com quase 5 mil produtoras mobilizadas”, afirmou Meneguette.
A expansão dessa representação no interior do estado foi detalhada por Lisiane Czech, coordenadora da Comissão Estadual de Mulheres da FAEP (CEMF), vice-presidente da federação e presidente do Sindicato Rural de Teixeira Soares. Atualmente, 111 dos 163 sindicatos rurais paranaenses contam com comissões femininas ativas. “A meta é que todo sindicato rural tenha uma comissão de mulheres, pois temos muito a contribuir para o desenvolvimento do setor”, disse Lisiane.
No plano nacional, a mobilização também avança. Simone Carvalho de Paula, integrante da comissão paranaense e vice-presidente da Comissão Nacional das Mulheres do Agro na CNA, afirmou que todos os estados brasileiros contam hoje com comissões estruturadas. “A produtora rural tem direito de ocupar essa cadeira, por meio da capacitação”, declarou.
Os representantes locais reforçaram a importância da organização sindical. A coordenadora da Comissão de Mulheres de Cascavel, Maria Beatriz Orso, explicou que os grupos organizados abriram espaço para a liderança feminina na agropecuária. O presidente do Sindicato Rural de Cascavel, Paulo Orso, complementou que as mulheres sustentam a base das famílias rurais e das comunidades produtivas da região.
Presente no evento, o governador Carlos Massa Ratinho Junior declarou que a liderança feminina nas lavouras e granjas ajuda a garantir o abastecimento alimentar e as exportações do estado.
Painéis técnicos, sucessão e saúde
A programação técnica do encontro abordou a rotina prática e os direitos das produtoras. A advogada Jéssica Nascimento tratou das normas e rotinas da legislação trabalhista aplicadas ao dia a dia do campo.
O tema da governança familiar foi conduzido por Alessandra Nishimura, do Grupo Jacto, com a palestra “Raízes invisíveis: A força feminina por trás dos grandes legados”, focando no preparo das novas gerações para assumir os negócios rurais sem romper laços familiares.
O ex-ministro da Agricultura Antônio Cabrera analisou o quadro econômico e as perspectivas da produção de alimentos no país. Na área de saúde e qualidade de vida, o médico Ivan Roberto Bonotto Orso e a psicóloga Paula Fabri discutiram hábitos, perda de peso e controle emocional. O evento teve ainda apresentações sobre criatividade com Rodrigo de Barros e Sarah Golinhaki, além de palestra sobre saúde mental e bem-estar ministrada pela psicanalista Andrea Vermont.



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