Educadores rejeitam terceira proposta de Silva e Luna

Educadores rejeitam terceira proposta de Silva e Luna

Profissionais da educação recusaram novamente o parcelamento da reposição salarial, ampliaram a mobilização e aprovaram indicativo de greve após meses de negociação com a Prefeitura.

Assembleia aprovou indicativo de greve após nova recusa ao parcelamento. Foto: Assessoria/Sinprefi.
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Foz do Iguaçu (PR) — Educadores da rede municipal de ensino de Foz do Iguaçu rejeitaram pela terceira vez uma proposta de reposição salarial apresentada pela gestão do prefeito Silva e Luna. Reunida em assembleia na noite de segunda-feira (9), na Câmara de Vereadores, a categoria recusou novamente o parcelamento do reajuste e aprovou o indicativo de greve, ampliando a pressão sobre o Executivo municipal.

A decisão ocorre em meio a uma reivindicação que acompanha os trabalhadores da educação há anos e atravessa diferentes administrações municipais. Para a categoria, a valorização dos profissionais da educação segue sendo uma promessa recorrente dos governos, mas que continua distante dos contracheques dos servidores.

A proposta rejeitada pela assembleia previa reajuste de 4,11%, referente à reposição inflacionária medida pelo INPC, dividido em quatro parcelas. Desde o início das negociações, esta foi a terceira proposta apresentada pela Prefeitura, mantendo o parcelamento do pagamento.

A primeira previa pagamentos distribuídos entre maio e novembro. A segunda concentrava as parcelas entre junho e setembro. A terceira, rejeitada nesta semana, manteve os mesmos 4,11%, divididos entre maio, junho, julho e agosto.

Nos corredores da assembleia e entre os grupos de servidores, a repetição das propostas gerou ironias. Alguns profissionais chegaram a comentar que o prefeito Silva e Luna “já pode pedir música no Fantástico”, numa referência à terceira tentativa consecutiva de aprovar uma proposta que acabou rejeitada pela categoria.

Para os trabalhadores, o principal problema não está apenas no índice oferecido, mas na forma como ele será pago.

A presidente do Sindicato dos Professores e Profissionais da Rede Pública Municipal de Educação de Foz do Iguaçu (Sinprefi), Viviane Dotto, afirma que a categoria defende a reposição integral e o respeito ao Piso Nacional do Magistério, cujo reajuste definido pelo Ministério da Educação para 2026 foi de 5,40%.

“A nossa briga é pela reposição justa, levando em consideração esse valor mínimo salarial que os profissionais da educação devem receber em qualquer cidade do Brasil”, afirma.

Segundo o entendimento aprovado pela assembleia, o parcelamento posterga um direito dos trabalhadores e prolonga as perdas acumuladas ao longo do ano.

Para os educadores, a discussão não envolve apenas números. Trata-se do reconhecimento de uma categoria que sustenta diariamente a rede municipal de ensino e que, segundo os servidores, continua aguardando uma política efetiva de valorização profissional.

Apesar da rejeição à proposta salarial, os servidores aprovaram o reajuste do auxílio-alimentação. A primeira proposta apresentada pela Prefeitura previa aumento de R$ 550 para R$ 600 e havia sido recusada anteriormente. Já a nova proposta, com reajuste de 10%, elevando o benefício para R$ 605, recebeu aprovação da categoria durante a assembleia.

Mobilização entra em nova fase

Com o plenário da Câmara completamente ocupado, os trabalhadores decidiram elevar o nível da mobilização.

O estado de greve, aprovado anteriormente, foi substituído por um indicativo de greve, sinalizando que a categoria considera esgotada a atual fase das negociações e espera avanços concretos por parte da administração municipal.

Entre as próximas ações aprovadas está a participação dos profissionais da educação na audiência pública marcada para o dia 17 de junho, às 10h, na Câmara de Vereadores, quando a Secretaria Municipal da Educação apresentará os resultados do quadrimestre.

“Vamos manter as manifestações motivadas pelo descontentamento em relação à valorização salarial e outras reivindicações como a aplicação do nosso Plano de Carreira”, afirma Viviane Dotto.

O Sinprefi informou que comunicará oficialmente as decisões da assembleia ao Executivo e aguarda uma nova proposta que contemple as reivindicações aprovadas pelos trabalhadores.

Para a categoria, o impasse vai além da reposição salarial. Ele reflete um debate mais amplo sobre a valorização dos profissionais da educação pública, a aplicação do plano de carreira e o papel que o município pretende dar à educação nos próximos anos.


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