Posadas, Argentina – Famílias agricultoras de San Pedro denunciaram nesta sexta-feira uma série de despejos violentos promovidos pela multinacional florestal Arauco, com apoio policial, na província de Misiones. Em encontro realizado na sede da Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), em Posadas, moradores relataram que tiveram casas queimadas, bens destruídos e pertences apreendidos pelas forças de segurança a serviço da empresa.
Os agricultores vivem nos bairros Puerto Argentino 1, 2 e 3 e no bairro Don Bosco, áreas rurais onde mantêm produções de subsistência e criam seus filhos. Os relatos expõem a destruição completa das moradias enquanto os trabalhadores estavam na roça.
“Cheguei em casa depois de trabalhar e minha casa já não estava lá. Estava tudo queimado. Estava tudo em cinzas”, contou um dos moradores durante a reunião, organizada pela Multissetorial pela Soberania.
As denúncias detalham a ação conjunta entre seguranças da multinacional e agentes da polícia local. Além do fogo nas estruturas de madeira, os moradores relataram o confisco forçado de veículos e ferramentas de trabalho.
“A empresa vem junto com a polícia e queima, quebra tudo. Se temos uma moto, também levam. Levam tudo. Parece que não somos argentinos e que valemos pouco”, afirmou outro agricultor afetado.
A violência colocou em risco direto a vida de menores de idade e pessoas em situação de vulnerabilidade. “Temos crianças, inclusive crianças com deficiência. Se tivessem queimado uma casa com uma criança dentro, teria sido ainda mais trágico”, alertou uma das mães presentes.
A revolta pelo desamparo estatal e pelo poder exercido pela companhia estrangeira marcou as manifestações do grupo: “Não podemos ser despejados de nossa própria cidade. Não podemos ser estrangeiros em nossa terra. Se temos a bandeira argentina, como pode um estrangeiro vir mandar e despejar pessoas em nossa província?”.
Técnicos e professores universitários participaram do encontro para estruturar um levantamento técnico sobre a posse da terra e os impactos sociais em San Pedro. A mobilização também articulou o relançamento do Fórum da Terra, espaço voltado à produção de dados, apoio jurídico e defesa dos recursos hídricos e territórios rurais em Misiones.


















