Español Português
AGORA

TRE manda apagar ataque de Eduardo Bolsonaro contra Simone Tebet

Ex-deputado escreveu que candidata se prostitui por cargos; TRE fixou multa de até R$ 30 mil caso publicação não seja excluída em 24 horas.

Eduardo Bolsonaro foi alvo de representação judicial por ataque com termos degradantes. Créditos: montagem/JuriNews.

São Paulo, SP – A Justiça Eleitoral determinou que o Facebook remova em até 24 horas uma postagem em que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) atacou a candidata ao Senado Simone Tebet (PSB), insinuando que ela “se prostitui” em troca de cargos e ministérios. O magistrado Ronnie Herbert Barros Soares, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), concedeu tutela de urgência na representação apresentada pela candidata, fixando multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento, com limite de R$ 30 mil.

A decisão judicial responde a uma publicação feita por Eduardo nesta segunda-feira (28), na qual o ex-parlamentar chamou a ex-ministra de “vassala” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na postagem, Eduardo escreveu: “Quando passa a eleição, faz tudo ao contrário. Se prostitui por cargo, ministério etc.”.

Simone Tebet reagiu classificando a atitude de Eduardo como covardia e informou que acionará o Ministério Público Eleitoral por violência política de gênero, além de mover as ações jurídicas cabíveis. Em nota oficial, a campanha da candidata afirmou que causa repulsa o uso de insinuações de teor sexual e degradante para desqualificar uma mulher no processo eleitoral: “É um covarde que ataca protegido pela distância e por um exército digital propagador de discurso de ódio. Essa é a indigência do debate político que não pode prosperar”.

O ataque ocorreu em meio a um rearranjo de forças na disputa pelas duas cadeiras paulistas no Senado, deflagrado a apenas seis dias do primeiro turno. Horas antes, o candidato Ricardo Salles (Novo) anunciou a desistência de sua candidatura ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), formalizando apoio a André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP). Ao longo da campanha, o próprio Salles vinha apontando do Prado como figura umbilicalmente ligada ao Centrão.

Diante do recuo, Tebet afirmou que Salles havia “se rendido ao Centrão”. Eduardo rebateu essa avaliação pública alegando que a desistência visava unificar os votos da direita para evitar a fragmentação da base conservadora entre três nomes. A partir dessa divergência pública sobre a composição eleitoral, o ex-deputado desferiu a ofensa contra Tebet.

Também concorrendo ao Senado em dobradinha com Tebet, Marina Silva (Rede) manifestou apoio à colega de chapa. Mais cedo, Marina já havia denunciado a manobra em torno de Salles como um “vale-tudo” que desrespeita os eleitores paulistas com o único objetivo de frear o avanço de duas candidaturas femininas no estado.

Amilton Farias

Amilton Farias é jornalista, fundador e editor do portal Fronteira Livre. Com vivência em diferentes países da América Latina e atuação voltada ao jornalismo territorial, dedica sua escrita à análise política, social e cultural das fronteiras, dos territórios e das realidades que marcam a vida dos povos latino-americanos.

Receba notícias no WhatsApp do Fronteira LivreReceba notícias no WhatsApp do Fronteira Livre

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *