BUENOS AIRES, ARGENTINA — O presidente da Argentina, Javier Milei, elevou o tom do atrito internacional e acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter financiado diretamente uma suposta campanha publicitária para desestabilizar sua gestão. A declaração acirra a crise diplomática entre Brasil e Argentina, acendendo um alerta vermelho para o comércio bilateral, a cooperação na Tríplice Fronteira e os rumos econômicos da América do Sul.
Em entrevista concedida à Rádio Mitre, o chefe de Estado argentino apontou que parte expressiva dos recursos de uma ofensiva midiática contra seu país teve origem em Brasília. “Você sabe quem colocou mais dinheiro nessa campanha antiargentina? O governo do Brasil”, declarou Milei. O líder libertário voltou a criticar a presença de consultores e assessores de imprensa brasileiros que atuaram na campanha do ex-ministro da Economia Sergio Massa nas eleições de 2023, sustentando que a projeção internacional da Argentina como um “farol da liberdade”, fruto do alinhamento com Estados Unidos e Israel, passou a incomodar setores da esquerda sul-americana.
Convocação diplomática e críticas diretas
A nova onda de acusações ocorre como reação à decisão do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, de chamar para consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli. O gesto de descontentamento formal do Itamaraty foi motivado pela participação recente de Milei em um evento do Partido Liberal (PL), realizado em São Paulo.
Na ocasião, o presidente argentino manifestou apoio público à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e proferiu ataques diretos às instituições brasileiras, chamando o presidente Lula de “ladrão”, “presidiário” e “lixo socialista”. Além de atacar o chefe do Executivo brasileiro, Milei mirou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e afirmou que a condução econômica do Brasil coloca o país em rota de instabilidade.
Defesa de Bolsonaro e impactos no Mercosul
Ainda durante a entrevista radial, o mandatário argentino saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem se referiu como um “amigo” e vítima de perseguição judicial. Para fundamentar sua tese, Milei rebateu as restrições impostas a encontros entre ambos, comparando o caso à visita realizada por Lula à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, quando esta se encontrava em prisão domiciliar.
A escalada verbal entre as lideranças das duas maiores economias do Mercosul impõe incertezas reais ao cotidiano dos cidadãos, ameaçando acordos comerciais, fluxos turísticos e políticas públicas integradas que dependem da convivência harmoniosa na região. Antecipando que novos embates políticos e midiáticos devem surgir nos próximos meses, Milei afirmou que sua administração já se prepara para o acirramento das pressões internacionais.


















